Existe vida depois do divórcio?


divórcio

Foto Roberto Leone

Existe vida depois do divórcio?  SIM!

Nunca me senti tão sem chão… Foi no verão de 2000.  Há alguns meses meu marido de 10 anos, pai dos meus filhos de 7 e 4 anos, se comportava estranhamente.  Estava em uma casa de veraneio com as crianças e ele ficara na cidade.  Sempre disponível no celular, de repente não o encontrava mais e as desculpas começaram: “esqueci no escritório”, “estava em silencioso”, etc.  Para qualquer um não totalmente envolvido emocionalmente como eu, estava na cara.  Mas eu não quis ver.  Não queria saber.

As brigas começaram.  Um dia tão, tão brava, arranquei a aliança do meu dedo, a mesma que nunca havia tirado desde o dia do casamento, e a joguei do outro lado da sala na sua cara… só para correr e colocá-la de volta.  Me sentia nua sem… Estranho como aquele pedaço de metal em torno ao dedo carrega um peso tão grande.

Finalmente ele disse que não aguentava mais e sairia de casa.  Dentro me senti morrer, mas fora fingi força.  Conhecendo a pessoa, quis forçar a barra.  Dei um ultimato.  “Se for para sair, então faça-o imediatamente.  Não te quero em casa quando voltar.”  Fiz isso pois sabia que senão ele ficaria no lero, lero.  Tive uma intuição que ele ficaria entre duas vidas.  Não queria isto.  Queria ele de volta para mim.

Terrível é como nos sabotamos!  Apesar de antes dele querer ir embora o relacionamento já estava difícil e na verdade sabia que o sentimento um pelo outro não era o mesmo do início, quando ele partiu tive a certeza que estava perdidamente apaixonada por ele como no início.

Pelo telefone avisei meus pais do que estava acontecendo.  Foi muito bom.  Meu pai mudou seus planos de viagem e veio a Florença.  Eu disse a ele:”não se preocupe.  Acho que é temporário.”  Mas ele insistiu.  Foi bom… Não, foi ótimo!

Voltando a Florença, fui consultar um advogado para saber qual eram os meus direitos.  Meu pai veio junto e foi imprescindível ter alguém inteligente e lúcido por perto.  Foi então que algumas amigas decidiram me contar.  Me disseram que não queriam dizer nada, mas que como eu havia começado a falar com advogados, eu tinha que saber a verdade.  Ele estava envolvido com outra mulher.  Mesmo que suspeitasse de algo, quase inconscientemente, aquelas palavras foram como um soco no estômago!  Lembro tão bem.  Demorei meses para superar.  A vida nunca mais foi a mesma.  Uma certa inocência foi roubada de mim para sempre.

Quando o confrontei, ele me disse que era uma coisa certamente temporária.  Disse para eu esperar pois certamente passaria… O que?!!  Quando fui falar com o padre da minha paroquia, ele me disse a mesma coisa… Tentei… Esperei, me desesperei, emagreci (essa parte foi a única coisa boa), me senti muito só.  Estranhamente, os amigos desapareceram.  Nem os culpo.  Sei que é uma situação complicada e constrangedora, mas teria sido tão bom ter alguma amiga por perto.

Meu pai me segurou a mão várias vezes e me deu a direção.  Minha mãe, que chegou depois para dar a troca ao meu pai, também.  Com carinho e amor, e me escutando.  Nossa, coitados!!  Quanto me escutaram!!!  Como pode uma pessoa repetir a mesma história tantas vezes?!!!  Aos outros e a si mesma?!?!!!  Hoje acredito que é a forma que o corpo e a mente usam para digerir a idéia.  A nova situação.  É por isso também que é importante ter um profissional para te escutar.  Pois depois de um pouco, só ele vai te aguentar mesmo!

Às crianças primeiro dissemos que o pai estava na casa dos avós para ajudar com algumas coisas.  Mas depois de ter tentado tudo (inclusive uma volta de 3 meses com ele em casa), exigi que disséssemos a verdade.  Explicamos que os amávamos muito e que isso não havia mudado em nenhuma forma.  Que nada do que estava acontecendo era culpa deles.  Que o papai e a mamãe se gostam muito mas não se amam mais como antes.  Que era um novo amor diferente entre nós, os pais, mas que o relacionamento entre cada um de nós com eles seria o mesmo. Eles ficaram tristes e choraram.  Mas hoje são pessoas tranquilas e nos dizem que fizemos bem em sermos honestos.  Acredito até que meu ex-marido foi um melhor pai depois da separação.  Fazia mais questão de vê-los.

Nunca proibí-lo de ver-los e acredito que seja importante não falar mal do ex aos filhos.  Muito importante.  As crianças não tem nada a ver com o problema de vocês!

Não é fácil superar esse período.  Lógico que encontrar outro namorado ajuda.  Mas se você não estiver bem consigo mesma, não é a solução.  Melhor deixar passar o “luto” da separação, e quando digerir a idéia melhor, aí sim pode-se partir para uma nova relação.

Mas como foi que sobrevivi àqueles meses de terror (sou capricorniana e tenho terror a mudanças)?   Estas foram as minhas salvações:

  • Um analista: um bom profissional te escuta (importantíssimo) e te dá uma direção no dia a dia
  • Tentar: tentei voltar uma vez.  O que achei bom disto foi que não tenho dúvidas que tentei tudo.
  • Ginástica: eu queria muito que o analista me desse algum remédio pois fiquei meio lélé (esperando ele voltar) e dormia mal.  Mas ele se recusou, e hoje agradeço por isso.  Ele me disse: “faz ginástica!”  E eu respondi: “mas doutor, já faço tanta!”  Ele retrucou: “faz mais!”
  • Família: todos foram muito próximos.  Qualquer hora do dia e da noite me deram apoio.
  • Ler:  li váaaaarios livros.  Não precisam ser inteligentes, só devem te ajudar a sair da realidade enquanto o corpo se adapta à nova realidade
  • Não escutar a todos os conselhos de amigos.  Cada um vai falar algo de diferente e você vai ficar confusa.  Além do que, vão querer dizer algo para não te machucar ao invés da verdade, e isso não ajuda.
  • Não ligar para o ex!!  Não se auto-sabote!  Siga os conselhos dos profissionais.
  • Não morar junto!  Nem parte do tempo e nem pelos filhos.
  • Filhos: por eles, eu sabia que tinha que superar tudo.  Seus abraços são o Redbull da coragem.
  • Racional: enfrentei como uma doença.  Deixei o tempo ajudar a me melhorar.  Às vezes apoiada a uma parede sem energia de dar um passo, a minha mente me dizia: “é só uma questão de tempo!”  E não é que foi?!

O importante é se reencontrar, ficar sã, tomar conta do corpo e das crianças.  Segunda coisa, encontrar algo para fazer: ginástica, trabalho, um hobby ou tudo isto.

Em conclusão, lembrem por favor que conto aqui a MINHA história!  Quis escrever pois recebi mais de um email perguntando se tem vida após o divórcio.  Saibam que SIM!!  Uma bela vida!  Encontrei a minha estrada com um novo, maravilhoso companheiro e um trabalho que amo.  E isso aconteceu de forma tão positiva por uma razão, a mais importante, porque encontrei a mim mesma!!

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