O mito de Perseu – Violência e sensualidade na Loggia dei Lanzi


O mito de Perseu – Violência e sensualidade na Loggia dei Lanzi

Por Luciene Felix Lamy

Perseu e a cabeça da Medusa (1545-1554), escultura em bronze por Benvenuto Cellini. Loggia dei Lanzi, Piazza della Signorina, Florença. Observem a semelhança nos traços faciais de ambos: fitar Medusa é encarar nossas próprias motivações interiores (são lícitas, válidas, justas?), daí o risco de petrificar-se.

Perseu e a cabeça da Medusa (1545-1554), escultura em bronze por Benvenuto Cellini. Loggia dei Lanzi, Piazza della Signorina, Florença. Observem a semelhança nos traços faciais de ambos: fitar Medusa é encarar nossas próprias motivações interiores (são lícitas, válidas, justas?), daí o risco de petrificar-se. 

Amigos do ConsueloBlog, costumeiramente encaminho meus post’s no final do mês, mas me entusiasmei em presenteá-los com este post sobre Perseu por uma razão muito especial. Explico.

Contemplar o belo é fundamental à vida e, nas sábias palavras do pai da psicanálise Sigmund Freud, a suave narcose a que a arte nos induz ocasiona um afastamento passageiro das pressões das necessidades vitais. Para ele “A fruição da beleza dispõe de uma qualidade peculiar de sentimento, tenuemente intoxicante. (…) A civilização não pode dispensá-la”.

Contemplar o belo é fundamental à vida e, nas sábias palavras do pai da psicanálise Sigmund Freud, a suave narcose a que a arte nos induz ocasiona um afastamento passageiro das pressões das necessidades vitais. Para ele “A fruição da beleza dispõe de uma qualidade peculiar de sentimento, tenuemente intoxicante. (…) A civilização não pode dispensá-la”.

Desde que anunciei a proposta da Mala CULTURAL para a Europa (AQUI ), curiosamente (mas não por acaso), Florença tem sido o principal destino daqueles que me procuram para munir-se de conhecimentos prévios sobre Arte. São pessoas que, buscando a contemplação do belo no berço do Renascimento, decidiram enriquecer a viagem priorizando as visitas aos museus, igrejas e galerias.

Mesmo que voltados a seus afazeres profissionais, muitas vezes altamente especializados, os turistas se empenham em viajar munidos de uma base que os permita desfrutar com mais profundidade o legado dos maiores gênios da humanidade. Constatemos abaixo, o quanto é importante estar preparado para enxergar tudo que se vê.

Sob o olhar de Héracles (Hércules), o jovem Perseu ostenta a cabeça da rainha das Górgonas, Medusa.

Sob o olhar de Héracles (Hércules), o jovem Perseu ostenta a cabeça da rainha das Górgonas, Medusa.

               Sob o olhar de Héracles (Hércules), o jovem Perseu ostenta a cabeça da rainha das Górgonas, Medusa.

Nenhum elemento é inserido ao acaso. Caprinos são venerados. À cabra Almatéia é sempre destinado lugar de honra (também nesse post!), pois foi graças a seu leite que o soberano do Olimpo, o todo-poderoso Zeus (Júpiter/Giove) sobreviveu para enfrentar seu pai, Chronos (Saturno) e libertar seus irmãos.

Eis meu relato sobre o mito de um dos mais famosos monumentos (do latim “monumentum” lembrando, de “monera” lembrar) florentinos: o jovem Perseu ostentando a cabeça da rainha das Górgonas, Medusa. Por que Perseu?

Bem, além de ser um herói dos mais antigos, Perseu será avô de ninguém menos que Héracles (Hércules) e vocês encontrarão o instante de sua fecundação pelo soberano do olimpo, Zeus (Júpiter) e o momento em que ele salva Andrômeda, aonde quer que estejam (Praga, Viena, Paris, Roma, Londres, Berlim, Nova Iorque, Madrid, São Petersburgo, etc.), pois trata-se de duas das cenas mais belamente retratadas em toda História da Arte: a chuva de ouro sobre a princesa Danae e Andrômeda presa ao penhasco Se não se importam, intercalarei o relato do mito de Perseu com algumas dessas imagens.

Danae fecundada por Zeus (Júpiter) com uma chuva de ouro, por Paolo de Matteis (1702-05) – Detroit.

Danae fecundada por Zeus (Júpiter) com uma chuva de ouro, por Paolo de Matteis (1702-05) – Detroit.

Seguramente, maior precursor de nossos contos de fadas, o mito de Perseu, como todo legado grego, revela elementos universais à nossa condição humana e divina. Com direito a princesa encerrada numa torre, abandono de inocentes, hýbris (desmedida), monstros terríveis, cavalo alado e outras surpresinhas no percurso.

Vamos às façanhas relatadas por Hesíodo, Píndaro, Apolodoro e Ovídio entre outros aedos (poetas). Imortalizado, juntamente com Teseu, Hércules e Atalanta, Perseu é um dos quatro grandes heróis anteriores à guerra de Tróia.

Em Argos, havia um nobre rei chamado Acrísio, que desejava muito ser pai de um menino. Mas sua rainha, Eurídice só gerara uma menina, a dócil e bela Danae.

Certo dia, curioso por saber se o destino ainda lhe reservaria um varão, Acrísio foi consultar o Oráculo de Ámom e saiu de lá transtornado: ouvira a profecia de que, não só jamais seria pai de um menino como teria sua morte causada pelo próprio neto.

Desolado, Acrísio, que amava muito a filha, para não matá-la e despertar a ira das Erínias, que puniam severamente quem derramasse sangue do próprio sangue, decide trancafiá-la numa intransponível torre de bronze onde, tendo somente uma criada por companhia, estaria a salvo das ebulições hormonais que compelem ao desejo de se unir.

Insone pela angústia que o dominava, certa madrugada, Acrísio se levanta para tentar espairecer e qual não foi sua surpresa ao flagrar uma ofuscante e luminosa chuva de ouro caindo dos céus diretamente para dentro da torre. Imediatamente, o rei convocou sua guarda e, com violência derrubou a porta que havia selado com tanto empenho.

Espantado, deparou-se com a filha acalentando seu neto nos braços. Indagada sobre quem seria o pai, relutante, Danae confessou que fora fecundada por Zeus. “Mas como?” Insistia o incrédulo rei.

Danae, por Tiziano Veccellio (1553) – Museo del Prado, Madrid.

Danae, por Tiziano Veccellio (1553) – Museo del Prado, Madrid.

Foi então que Danae lhe revelou que o soberano do Olimpo se metamorfoseara (metáfora bela para o Espírito fecundado a matéria) em chuva de ouro.

Acrísio estava aturdido! A explicação da jovem parecia absurda, sem dúvida, mas a torre era mesmo absolutamente inviolável a qualquer mortal.

Mesmo temendo vir a sofrer algum castigo por parte de Zeus, ele despacha filha e neto numa precária arca de madeira, lançando-os ao mar.

A criança exposta, abandonada ao acaso, é recorrente em diversas narrativas mítico-religiosas: Édipo, Hefestos, Hércules, Perseu, Páris, Egisto, Atalante, Rômulo e Remo, Moisés e o próprio Zeus, entre outros. Atemporal, como todo mito, infelizmente esse drama é testemunhado até os dias de hoje, quando nos chocamos com a notícia de recém nascidos abandonados até mesmo em lixeiras.

Quer seja por, mais que revelar, explicitar ato desonroso por parte de um ou ambos os progenitores, por portarem predições de infortúnios ou serem simplesmente vítimas de más formações congênitas, inocentes eram transformados em bodes expiatórios e banidos, sacrificados a fim de se ocultar uma falta ou aplacar a ira divina.

Mas, se por acaso da Fortuna escapassem à morte certa, ocorria o diametralmente oposto: eram imediatamente sacralizadas. Sobreviver era interpretado como uma mudança do sinal divino.

E, se fora essa a vontade dos deuses, por conversão do destino, esses cordeiros tornavam-se intocáveis, reverenciados, extremamente benéficos, pois portadores de bons augúrios àquela família e comunidade que os acolhera.

Danae, por Corregio (1531) – Galleria Borghese, Roma.

Danae, por Corregio (1531) – Galleria Borghese, Roma.

Foi justamente isso o que aconteceu com Danae e seu pequeno Perseu. Algas e outros alimentos marinhos submergiam, pairando ao alcance das mãos da jovem mãe, para quem o leite materno era abundante. O próprio Zeus, afastando Poseidon (Nettuno), providenciou que fosse a mansidão do velho Nereu a presidir o mar, mantendo-o de águas límpidas e serenas. Também convocou Eólo, o vento de brisa suave a acompanhá-los até que a improvisada e fragilíssima nau (embarcação) aportasse em segurança na ilha de Sérifo.

Mãe e filho foram acolhidos pelo irmão do rei de Sérifo, um humilde pescador chamado Díctis e sua gentil mulher. Não tardou muito, o cruel e implacável tirano da ilha de Sérifo, Polidectes apaixonou-se pela beleza de Danae que, relutante em tomar quem quer que fosse por marido, só se ocupava dos cuidados com Perseu, que crescia forte e ia revelando uma personalidade desafiadoramente ousada e destemida.

Confabulando num modo de tirar o ciumento e zeloso filho do caminho, Polidectes mente que irá se casar com Hipodâmia, princesa de um reino vizinho e a fim de comemorar a decisão, organiza um banquete. Todos os súditos o presenteiam. Perseu não tem nada a oferecer, mas orgulhoso, no intuito de se destacar entre os demais que haviam trazido cavalos, tecidos ou ouro, se precipita ao declarar, diante de todos, em alto e bom tom que traria um presente digno de um rei tão “desinteressadamente hospitaleiro”: a cabeça da rainha das Górgonas, Medusa.

“Isso me agradaria mais que qualquer outro presente no mundo”, apressou-se em dizer Polidectes. O imprudente Perseu caíra na cilada! Livrar-se do filho para poder desposar a mãe era tudo o que o rei de Sérifo mais desejava. Após reiterar que não se promete algo que não se pode cumprir – ao que Perseu, com toda altivez, reafirma: “eu a trarei”, Polidectes não disfarça seu irônico sorriso de satisfação.

Perseu e Andrômeda, por Charles André Van Loo (entre 1735/40) – The State Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia.

Perseu e Andrômeda, por Charles André Van Loo (entre 1735/40) – The State Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia.

Filho legítimo do próprio Zeus, Perseu é afortunado. Conta com a ajuda de outros deuses, convocados a orientar e enviar os instrumentos necessários à realização de tal proeza: a espada de ouro e as sandálias aladas de Hermes (Mercúrio), o elmo de Hades (Plutão), que o torna invisível e, de Athena (Minerva) o reluzente escudo de bronze, além da bolsa de prata, única capaz de conter a cabeça da Górgona.

Ao vencer Medusa (sua mão fora guiada pela própria deusa da sabedoria e justiça, Palas Athena), Perseu testemunha o nascimento de Pégasus (até mesmo a criatura mais vil, traz em si algo de elevado) e, em algumas versões, de Crisaor.

Monta-o, voa e percebe que as gotas de sangue que caem se transformam em venenosas serpentes que se apressam a rastejar pela terra.

Pégasus é filho da outrora bela, Medusa com Poseidon, tendo sido concebido ao profanarem o imaculado leito da virginal Athena, que a castigou por essa aviltante infâmia transformando-a num monstro.

Enquanto isso, noutro seio familiar, a fútil e presunçosa rainha Cassiopéia, imprudentemente proclama que sua filha, a realmente deslumbrante Andrômeda, é ainda mais bela que a própria deusa Hera e as Nereidas (ninfas) de Poseidon (Nettuno). Essa reivindicação de superioridade sobre divindades desencadeia polemós (polêmica) entre os fraternos deuses Zeus, Hades e Poseidon.

Perseu e Andrômeda, por Guido Reni (1635) – The National Gallery, Londres.

Perseu e Andrômeda, por Guido Reni (1635) – The National Gallery, Londres.

Cassiopéia não tarda a ver todo reino da Etiópia refém da violenta e furiosa ira dessas divindades. Desesperado, seu marido, o rei Celeu, busca o Oráculo para saber como deveria proceder para aplacar a fúria dos deuses.

Obtém a orientação de que deve acorrentar Andrômeda ao penhasco sacrificando-a a bestial criatura de Poseidon (Nettuno).

Regressando da missão à Ilha de Sérifo, montado em Pégasus, de longe Perseu avista a donzela presa a um rochedo: é Andrômeda, cuja beleza do corpo, adornado somente por joias e flores é tão paralisante quanto o olhar da Górgona. O herói avança em quebrar os grilhões, enfrenta, luta e, numa fúria de titãs, com Medusa, vence Kraken*, o terrível monstro marinho.

Andrômeda, por Edward Poynter (1869) – Coleção privada.

Andrômeda, por Edward Poynter (1869) – Coleção privada.

Apaixonado, com a gratidão e as bênçãos de Cassiopéia e de Celeu, casa-se com Andrômeda e parte para vingar-se de Polidectes. Chega exatamente no momento em que o ardiloso rei encontra-se no salão em festa, pronto para desposar a sempre relutante Danae. Ordenando que a mãe feche os olhos, Perseu puxa a cabeça da Górgona pelos cabelos/serpentes e a ergue diante de todos, petrificando-os imediatamente.

Ansioso por regressar à Grécia e conhecer o avô Acrísio, por quem não guarda rancor, Perseu decide antes disso, participar da competição de atletismo que o rei de Larissa estava realizando. Chegada sua vez de arremessar o disco, ignorando que o avô estivesse na arquibancada, Perseu lança-o e, guiado pela vontade dos deuses, atinge-o em cheio: Acrísio tem morte instantânea. Desolado por conta desse acidente, o herói parte de Argos e funda Micenas.

Perseu morte de Acrísio

Venerado em Sérifo, Argos, Micenas e também no Egito, onde foi erigido um templo em sua homenagem, Perseu foi imortalizado no céu entre as constelações setentrionais. Seu filho com Andrômeda, Eléctrion, será pai de Alcmena, que se casará com Anfitrião, ou seja, Perseu é o avô de outro grande e inspirador herói grego: Hércules.

(*) Nome tomado da mitologia nórdica, mas o monstro é o mesmo; uma espécie de Leviatã. reparem que a possui a mesma raiz semântica de kratós (Poder).

Vamos à análise da Obra.

Benvenuto Cellini nasceu e morreu em Florença (1500-1571). Famoso ourives, escultor e gravador, trabalhou para imperadores, reis, papas e príncipes. A vida tempestuosa de Cellini é descrita em sua autobiografia, que entre outros episódios contundentes, narra sua prisão por roubar as jóias da coroa papal. Infelizmente, a maioria das obras pequenas de Cellini – medalhas, taças e adagas – foram fundidas. No entanto, muitas de suas obras-primas maiores sobreviveram.

Benvenuto Cellini nasceu e morreu em Florença (1500-1571). Famoso ourives, escultor e gravador, trabalhou para imperadores, reis, papas e príncipes. A vida tempestuosa de Cellini é descrita em sua autobiografia, que entre outros episódios contundentes, narra sua prisão por roubar as jóias da coroa papal. Infelizmente, a maioria das obras pequenas de Cellini – medalhas, taças e adagas – foram fundidas. No entanto, muitas de suas obras-primas maiores sobreviveram.

 No torso do herói, uma faixa transpassada com a grafia em latim do nome do escultor: Benvenutus Cellinus.

No torso do herói, uma faixa transpassada com a grafia em latim do nome do escultor: Benvenutus Cellinus.

 Consta que Cellini esculpiu traços de seu próprio rosto na máscara de guerra usada por Perseu em sua batalha contra Medusa.

Consta que Cellini esculpiu traços de seu próprio rosto na máscara de guerra usada por Perseu em sua batalha contra Medusa.

Detalhe do corpo de Medusa, já decapitada pelo herói Perseu. Observem, no canto superior direito, os dedos dos pés de Perseu pisando o corpo dela. No cristianismo, também será recorrente a imagem de Nossa Senhora pisando, subjugando serpentes.

Detalhe do corpo de Medusa, já decapitada pelo herói Perseu. Observem, no canto superior direito, os dedos dos pés de Perseu pisando o corpo dela. No cristianismo, também será recorrente a imagem de Nossa Senhora pisando, subjugando serpentes.

Detalhe da cabeça da rainha das Górgonas, Medusa.

Detalhe da cabeça da rainha das Górgonas, Medusa.

A perversão da pulsão espiritual, por excelência, é a vaidade (imaginação exaltada em relação a si mesma) que é simbolizada pela serpente. Em Medusa, inúmeras serpentes coroam sua cabeça.

No frontispício do templo de Apollo (irmão de Athena), deus da harmonia, leem-se as palavras que resumem toda a verdade oculta dos mitos: “conhece-te a ti mesmo”. A única condição do conhecimento de si mesmo é a confissão das intenções ocultas, que por serem culpáveis, são habitualmente maquiadas pela vaidade (por uma justiça falsa, pois sem mérito, infundada). A inscrição reveladora significa, portanto: desmascara tua falsa razão, ou, o que dá no mesmo, aniquila tua vaidade. Faz-se necessário a clarividência em relação a si mesmo, o inverso do ofuscamento vaidoso e petrificante.

Ver Medusa significa: reconhecer a vaidade culposa, perceber a nu suas falsas razões, suas intenções ocultas, a mentira subconscientemente desejada, o recalcamento, as falsas razões, o que ninguém consegue confessar a si mesmo, da qual ninguém suporta a visão.

Para derrotar a Medusa, foi necessário que o herói a surpreendesse enquanto dormia pois o homem somente é lúcido e apto ao combate espiritual quando a exaltação de sua vaidade não está desperta. Arma muito cobiçada, mesmo morta, a cabeça da Medusa continuou mantendo seu poder de petrificar quem a encarasse.

Contra a culpabilidade advinda da exaltação vaidosa dos desejos, não há senão um único meio de salvaguarda: realizar a justa medida, a harmonia. Mas a rainha das Górgonas não é invencível.

A cabeça da Medusa foi presenteada por Perseu à deusa da sabedoria e justiça Palas Athena (Minerva), que o auxiliou em combate emprestando-o seu escudo, para que não a encarasse e ficasse estagnado.

Antes de merecer o apoio de Athena, todo mortal deve encarar o símbolo da decadência espiritual (a vaidade). Somente assim têm-se certeza de que sua reivindicação não oculta outra intenção, ou seja, não é capricho, teimosia. Ante a imagem da Medusa, quem busca a deusa clamando por justiça tem somente duas possibilidades: contar com sua proteção, se já passou pela prova da Medusa (vitória certa) ou imobilizar-se no pânico e petrificar-se.

Convém esclarecer que Medusa nem sempre fora assim… Ela bela, muito formosa e cobiçada. Mas como esclareci acima, ousou profanar o leito da deusa virgem com Poseidon (Nettuno) e por isso Athena a transformou nesse monstro terrível. Quando a lâmina de Perseu a decepa, surge Pégasus, o cavalo alado. Uma das interpretações que se faz é que mesmo a criatura mais vil possui algo de belo, elevado e nobre dentro de si.

Na base da obra, temos as esculturas de quatro deuses gregos: Zeus (Júpiter) e seus filhos: a deusa da sabedoria e justiça, Palas Athena (Minerva), o mensageiro dos deuses, Hermes (Mercúrio) e a deusa do amor e da beleza, Afrodite (Vênus).

Na base da obra, temos as esculturas de quatro deuses gregos: Zeus (Júpiter) e seus filhos: a deusa da sabedoria e justiça, Palas Athena (Minerva), o mensageiro dos deuses, Hermes (Mercúrio) e a deusa do amor e da beleza, Afrodite (Vênus).

Zeus (Júpiter) tem seu braço direito erguido, onde segura seu raio.

Zeus (Júpiter) tem seu braço direito erguido, onde segura seu raio.

Palas Athena (Minerva) deveria estar portando sua lança, símbolo da luta (a ser empreendida quando não resta outra alternativa) pela Justiça.

Palas Athena (Minerva) deveria estar portando sua lança, símbolo da luta (a ser empreendida quando não resta outra alternativa) pela Justiça.

Hermes (Mercúrio) e suas sandálias aladas.

Hermes (Mercúrio) e suas sandálias aladas.

Afrodite (Vênus) e seu filho Eros (Cupido).

Afrodite (Vênus) e seu filho Eros (Cupido).

Abaixo do pedestal discriminado acima, temos ainda essa placa de bronze em relevo retratando detalhes da luta do herói enfrentando o monstro marinho Kraken, a bela princesa Danae acorrentada pelo braço esquerdo, Perseu prometendo trazer a cabeça da Medusa e seus pais, rainha Cassiopeia e o rei Celeu, pranteando o sacrifício da jovem.

Abaixo do pedestal discriminado acima, temos ainda essa placa de bronze em relevo retratando detalhes da luta do herói enfrentando o monstro marinho Kraken, a bela princesa Danae acorrentada pelo braço esquerdo, Perseu prometendo trazer a cabeça da Medusa e seus pais, rainha Cassiopeia e o rei Celeu, pranteando o sacrifício da jovem.

Confira abaixo mais duas trágicas e sensuais esculturas da Loggia dei Lanzi:

O rapto de Polyxena (1886), por Pio Fedi.

O rapto de Polyxena2 Rapto de Polixena5 Rapto de polixena Hécuba Rapto de Polixena4 Rapto de polixena6

O rapto da Sabina (1581/83), por Giambologna.

 

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Papito e eu

Por influência de meu querido pai, sempre fui apaixonada pela mitologia grega. Foi por isso que quando pisei pela primeira vez no continente conhecido pelo nome da ninfa raptada por Zeus (Júpiter), me senti num ambiente, de certa forma, bastante familiar.

Conhecer os mitos gregos possibilita que, em qualquer país da Europa, para onde quer que olhe, seja qual for o Museu que visite, você seja arrebatado(a) pela cultura pagã. Verá o titã Chronos (Saturno, é o Tempo, filho do Céu “Ouranós” e da Terra “Gaia”) a engolir seus filhos, os olímpicos (filhos de Chronos e Rhéa) Poseidon (Nettuno), Hades (Plutão), Zeus (Júpiter), Deméter (Ceres), Héstia (Vesta), Hera (Juno) em todo esplendo e, também seus descendentes: Ártemis (Diana), Palas Athena (Minerva), Apolo (Hélios), Hermes (Mercúrio), Hefestos (Vulcano), Ares (Marte), sem falar de todos os semideuses, imortalizados em mitos, tragédias e nas narrativas de Homero e de Hesíodo.

Em virtude disso, convido-os a participar de nossa próxima Turma no Curso de Mitologia na Galleria Borghese, ministrado anualmente em Roma:

E, para aqueles que não puderem participar, informo que, periodicamente, realizo também o Curso de Mitologia Greco-Romana em SP (Higienópolis). Para dar conta de minha agenda, acabo de contratar uma diligente senhorinha para me secretariar, ela se chama Claudia Santos e seu e-mail é: cursoslucienefelix@gmail.com

Espero que tenham apreciado esse Post especial enquanto aguardam o próximo, sobre o posicionamento de Júpiter em seus mapas e o magistral florentino Michelangelo Buonarrotti. Beijos e até, amigos!

Por fim, ei-lo a nos encantar, tanto na terra quanto no Céu…

Constelação de Perseu

Perseu Constelação colorida Perseu Constelação PB

O relato de apenas UM mito e um vasto mundo de sublimidade se apresenta ao Espírito! Para mais obras sobre esse relato, busque no “Google Imagens” por:

Gustav Klimt – Leon François Comerre – Rosso Fiorentino – Sebastiano Ricci – Orazio Gentileschi – Charles Joseph Natoire – Jean Françoise de Troy – Antonio Bellucci – François Boucher – Eugène Delacroix – Cornelis Van Poeleburgh – Edward Poynter – Simon Vouet – Joachim Wtewael – Gustave Moreau – Artemisia Gentileschi – Alexandre Jacques Chautron – Rembrandt – Padovanino – Anton Raphael Meng – Eugene Soubiran – Jean Baptiste Creuze – Adolf Ulrich Wertmüller – Jacques Blanchard – Louis Matton – Piero di Cosimo – Paolo Veronese – Frederic Leighton e Luca Giordano, entre outros.

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42 Comments

Andrea - Curitiba
Reply 7 de June de 2015

Mais uma vez, nossa querida Lu arrasando com sues otimos textos!! E que linda tua foto com teu pai!! Bjs e bom domingo a todos.......

    Luciene Felix Lamy
    Reply 7 de June de 2015

    Andrea: a primeiríssima a comentar! \o/
    Infelizmente a foto nem está em boa qualidade amiga... Mas é a mais recente que tenho com meu papito (março desse ano).
    Grata e ótima semana, amiga!
    lu.

Ana Laura Rabelo
Reply 7 de June de 2015

"Ver Medusa significa: reconhecer a vaidade culposa, perceber a nu suas falsas razões, suas intenções ocultas, a mentira subconscientemente desejada, o recalcamento, as falsas razões, o que ninguém consegue confessar a si mesmo, da qual ninguém suporta a visão."
Não por acaso Medusa é a figura mitológica que acho mais fascinante! O desafio da confrontação só aceita quem está disposto ao mergulho do "conhece-te a ti mesmo". Outro aspecto que me fascina muito é o uso dos mitos na Psicanálise. Toda vitória está ligada à liberdade, e caminho para sua conquista está no autoconhecimento. Por mais que grande parte de nós tente fugir de se encarar, usando dos mais sutis, ou talvez nem tanto, subterfúgios, a paz que só a liberdade traz está exatamente nisso.
Adorei o post.
bjs, AL

    Luciene Felix Lamy
    Reply 7 de June de 2015

    Exatamente, Ana Laura!
    O mito, já disseram os estudiosos, é a linguagem do inconsciente, e também o fundamento da psique (alma). Por isso Freud e Jung foram "beber na fonte" para entender a mente. Por isso também o antigo costume de se colocar espelhos na entrada de casa: o mal não suporta ver a si próprio. Sim, vitória está ligada à liberdade, e esta requer coragem. Coragem para se autoconhecer.
    Adorei seu comentário, amiga!
    Zilhões!
    lu.

Denise Luna
Reply 7 de June de 2015

Lu, como agradecer essa aula tão magnífica? Li por alto, mas vou saborear melhor mais tarde bem devagar.
Você é uma craque! Obrigada. Como esse blog me deixa mais culta....
Bjs e parabéns pelo post!!

    Luciene Felix Lamy
    Reply 7 de June de 2015

    Ah, é fácil! Basta me enviar aquela foto magnífica da escultura do casal de Zeus (Júpiter) e Hera (Juno) que tiraste em Viena. Saboreie com calma, amiga. Aliás, também em Viena está uma das mais preciosas obras de Cellini: o saleiro/pimenteiro todo em ouro que ele esculpiu para o rei... (não me lembro agora, mas vou pesquisar), onde de um lado temos Poseidon (Nettuno) representando o sal que vem do mar e, do outro, a deusa Deméter (Ceres/Cibele), representando a pimenta, que vem da terra. Tudo ladeado pela representação das quatro estações do ano (os Medici é que adoravam que os artistas representassem dia/noite e estações, inclusive nos túmulos). Busque no "Google Imagens" esse saleiro de Benvenuto Cellini, é de cair o queixo! O que nos torna + cultos mesmo é dar um pulinho em Florença, amiga!
    Zilhões,
    lu.
    PS: Aliás, acho que todo cirurgião plástico tb tem obrigação de ir. :)

      Denise Luna
      Reply 8 de June de 2015

      Lu, vou procurar a foto AGORA!!!!!!!!
      Bjs

Sonia ferrari
Reply 7 de June de 2015

Oi Lu mais uma vez me embebi do seu conhecimento Ja te falei varias vezes qto admiro seu trabalho ja pensou que maravilha viajar com vc quem sabe....bjs

    Luciene Felix Lamy
    Reply 7 de June de 2015

    Pois venha conosco, menina! A farra será "daquelas", garanto, pois a Sandra tb é de um bom humor absurdo! E, se você se encantou com esse único mito (de Perseu), imagine que só na Borghese, relato mais de dez*!
    Mil beijos, Sonia. E ótima semana, amiga!
    lu.
    Confira o Programa aqui: http://cursodemitologiaemroma.blogspot.com.br/p/progra.html

Andreia Mota
Reply 7 de June de 2015

Congelei diante de tanta cultura, tanto conhecimento histórico!!!! Quantas versões de uma mesma imagem!!! Post fabuloso e consigo sentir a sua euforia para nos deixar carregados de saber, consegui também, pela primeira vez, me transportar para a cena de cada relato, seria eu a serviçal das princesas? Juro, me senti fazendo parte da história. Achei que quem tinha asas nos pés era Hermes, Perseu também era conhecedor do dom de voar? Você e o taurino já querido por mim por fazer aniversário no mesmo dia do meu tesouro, quando carinho e admiração. Voltarei a este post várias vezes, quero me render a ele. A informação de que Medusa é a nossa face foi novidade pra mim, Ana Laura comentou com propriedade o post de hoje, aprendi também. Um beijo todo especial pra você Maestra querida, um beijo Diva, beijos Salotto.

    Luciene Felix Lamy
    Reply 7 de June de 2015

    Eu que estou petrificada diante de seu tão carinhoso comentário, Andreiaesmeralda! Ou serias a própria Danae???
    Pois é exatamente isso, amiga: os relatos mitológicos, assim como as tragédias (Sófocles, Ésquilo, Eurípides) e até mesmo os fragmentos dos filósofos pré-socráticos (Empédocles, Parmênides, Heráclito, etc.) descortinam saberes que englobam TODAS as áreas do conhecimento*. Isso pq abarcam a própria filosofia da época, a sociologia, a psicologia, a estética e, claro, a ética, só para ficar no "básico". São atemporais e, com o perdão da redundância, são clássicos mesmo. Todos os grandes autores (Shakespeare, Goethe, Nietzsche, Hugo, Dante, etc) debruçaram-se sobre eles. Sem falar nos artistas propriamente (músicos, pintores, ourives, escultores, etc.). Busque no "Google Imagens" a Danae de Alexandre Jacques Chautron (1891), é das mais sensuais, amiga!
    Realmente, as asinhas são mesmo de Hermes (Mercúrio), que as emprestou ao herói.
    Meu taurino tem uma história de vida singular... Migrando de Pernambuco para SP, mesmo detentor de um conhecimento clássico ímpar, por seu senso de preocupação com a família, agarrou a primeira oportunidade de emprego que surgiu... É triste a situação de migrantes e imigrantes, amiga. Por isso, em minha Coluna de Filosofia (no jornal jurídico Carta Forense e tb em meu blog) acabo de publicar um artigo onde começo a versar sobre a questão. Trata-se de um drama antigo e, infelizmente, cada vez mais atual.
    Ana Laura contribuiu de forma singular, enriqueceu nossa compreensão. Esse é o propósito pelo qual nós, seres humanos, dialogamos: ampliar nossos (sempre parcos) saberes.
    Zilhões de beijos, amiga querida!
    lu.
    (*) A divisão das disciplinas, inicialmente em "trivium" e "quadrivium" surgiu na Idade Média, com a criação das Universidades.

      Luciene Felix Lamy
      Reply 8 de June de 2015

      Errata: é Alexandre Jacques SaNtron.
      E outra tb muito sensual é a Andromeda de Henri-Pierre Picou (1874).

Jovita Agra
Reply 7 de June de 2015

Desta vez você conseguiu me emocionar com o artigo, as imagens e video deste post, mestre Lu. Babo com todo este seu conhecimento que nos é presenteado tão gentilmente. Só quem tem muita sensibilidade sabe explanar arte com tanta sabedoria. Obrigada e zilhões, já plagiando uma deusa mitológica da era atual.

    Luciene Felix Lamy
    Reply 7 de June de 2015

    Ah, Jovita... Emocionante é ler esse seu comentário, amiga! Zilhões!!! Sempre!
    lu.

Mar
Reply 7 de June de 2015

Maravilhoso Lu!!! Muito bem narrado e ilustrado. Que lindo aquele quadro de Andrômeda...difícil dizer o quanto gostei deste post! Eu só não havia entendido pq Perseu estava com asas nos pés...eu me perguntava se quem tinha as asas não era Hermes/ Mercúrio?Pq pude observar bem a escultura lá na Loggia...Pelo q pude apurar foram as Gréias q lhe deram as tais sandálias com asas,quando ele lhes tomou o olho compartilhado :( Essas Gréias acho q já aparecem em filmes...criaturas bizarras!
Bom,amei muito o post!
Bjssssssss

    Luciene Felix Lamy
    Reply 8 de June de 2015

    Ah, mais uma afortunada que acaba de vivenciar dias de puro deleite e suave narcose em Florença!

    Menina, eu não sabia quais imagens da "fecundação de Danae" e de "Andrômeda acorrentada" postar, pois eram tantas as opções... Tive que me conter, para não tornar o Post ainda + extenso. Por fim, decidi ao menos listar alguns autores, para aqueles que quiserem conferir.

    Essa de tomar o olho compartilhado talvez já seja uma leitura shakespeareana (ele as traz em "Lady Macbeth") e hollywoodiana tb. Tratam-se das Eríneas mesmo, que são três irmãs. Falei delas nesse Post, onde analiso a obra de Bouguereau (http://www.consueloblog.com/astrologia-eu-sou-o-sol-eu-sou-o-sol/)
    Depois, vão se confundindo com outras denominações: as parcas, as tecelãs, as fiandeiras, as moiras. Fato é que as Eríneas são mesmo horríveis, bizarras, sem dúvida, até porque, nascem do sangue de um parricídio (Saturno ao ceifar os órgãos genitais de Urano).

    E eu amei acompanhar sua viagem e seu comentário, amiga! Já não estás sentindo saudades e vontade de voltar?
    Mil beijos,
    lu.

      Mar
      Reply 8 de June de 2015

      Vou dar uma conferida nessas outras imagens então!E realmente,deve ter sido muito difícil reunir tudo num post só,mas vc já é uma especialista :)
      E...sim! Já sinto saudade da narcose florentina,rs. Mas como já falei a vc,volto em outubro para Firenze parte II !
      Bjssssssss

Vera Irene
Reply 7 de June de 2015

Luciene, mto rico teu post! adorei, a riqueza do entrelaçamento de personagens,beijo

    Luciene Felix Lamy
    Reply 7 de June de 2015

    Querida Vera Irene...
    Para sempre serás a PRIMEIRA! \o/

    E, claro, recebeste esse relato antes mesmo de embarcares para Florença. Certamente, com seu (belo) amado, também conferiram a famosa "Medusa de Caravaggio", na Galleria degli Uffizi.

    Muito, MUITO obrigada pela confiança, mesmo quando estava apenas começando, amiga. Em virtude disso, saiba que estou à sua inteira disposição (sem custo nenhum) para atendê-la na hora em que precisar, em toda e qualquer viagem que fizeres.

    Que todo o Olimpo os abençoe.
    lu.

Jaque balas
Reply 7 de June de 2015

Texto maravilhoso! É muito bom ler sobre a mitologia, e, ter belas obras de arte histórica para facilitar a criação mental do cenário, bem como nos presentear com cultura. Beijos

    Luciene Felix Lamy
    Reply 7 de June de 2015

    Nooossa! Como vc é bonita, menina!
    Assim, Perseu erra mesmo o caminho de volta! Claro, Afrodite (Vênus) também o abençoava.
    Mitologia Greco-Romana é a senha para adentrar e se sentir em casa em todo e qualquer museu (na verdade, por muitas ruas, fontes e praças) da Europa.
    Zilhões, Jaque!
    lu.

Laíse
Reply 7 de June de 2015

Querida Lu,
Mais um post fantástico, arrebatador...
Permanece em mim a vontade de ser sua aluna no curso ministrado em Roma. Vou alimentar esse desejo com muita força e pretendo concretizá-lo. Cada vez mais me interesso pelos assuntos que você tão maravilhosamente domina.
Quero aproveitar suas palavras sobre crianças expostas, abandonadas ao acaso, para falar para nossa amiga do salotto, Catarina de Lisboa, que desejo muita sorte à você e seu marido, e enaltecer tão grandioso gesto, o da adoção. Saiba que os deuses protegerão seu filho(a), "que será extremamente benéfico e portador de bons augúrios à sua família, que o (a) acolherá com todo amor". Inspirei-me no seu texto, amada Lu. Zilhões

    Luciene Felix Lamy
    Reply 8 de June de 2015

    Laíse, querida,
    Uma coisa posso te garantir, muitos conhecimentos, muitas alegrias, muitas risadas e muitas novas amigas de infância, numa 'vibe' fantástica, dos deuses! Se quiser, te dou e-mail e telefone de quem já foi e pode confirmar que é mesmo tudo isso e muito mais. Imagine quanta bobagem a gente não fala depois de alguns vinhos diante de tantos 'sambucos'? Não vejo a hora da farra começar!

    Tenho humildade para reconhecer que... Bem, dominar, a gente não domina nada (risos), mas me orgulho sim, de me empenhar em fazer meu trabalho bem feito. Pesquiso, estudo e escrevo com consciência de que pude proporcionar algo que realmente vale a pena conhecer. O mito acima, por exemplo, consta em inúmeras obras de mitologia grega, mas selecionei excelentes autores e, após uma leitura minuciosa de todos eles, reescrevi meu próprio texto, com a seleção dos momentos mais universais, pois presentes em todas as obras, e mais impactantes, pois carregados de emoção. Confira a bibliografia abaixo.

    Quanto ao mito da criança exposta, infelizmente, não há mesmo nada de novo sobre a Terra, como diz Eclesiastes (rei Salomão, na Bíblia). Mas, claro, há um Deus por elas. E algo de divino em quem as acolhe.
    Mil beijos, amada Laíse! Zilhões!!!
    lu.
    Bibliografia:
    Junito de Souza Brandão – Mitologia Grega, Vol. III. Ed. Vozes - Edith Hamilton – Mitologia. Ed. Martins Fontes - Robert Graves – Mitos Gregos. Ed. Madras - P. Commelin – Mitologia Grega e Romana. Ed. Martins Fontes - Paul Diel – O Simbolismo na Mitologia Grega. Ed. Attar.

Daniela G.C
Reply 8 de June de 2015

Lú que post magnifico.....De uma riqueza de detalhes......Eu sempre fui fascinada por Mitologia Grega seus mitos, deuses e lendas tão atemporal e eterno!!!!Não tem como não amar seus posts!!!!Um beijão enorme querida Lú!!! E obrigada por mais essa beleza!!!

    Luciene Felix Lamy
    Reply 8 de June de 2015

    São fascinantes mesmo, Daniela.
    Perfeitas para se ler às crianças antes de dormir. Bem, um tanto trágicas, sem dúvida, mas madrastas que mandam trazer o coração, que exploram nos trabalhos domésticos ou bruxas que as engordam para comer tb são bem cruéis (risos)!
    Sou eu quem agradece por mais esse prazer, amiga! Zilhões!!! lu.

Norma Cardoso
Reply 8 de June de 2015

Os bastidores do mito de Perseu (criança exposta que retorna trazendo o novo e modificando a ordem vigente) nunca foi mais atraentemente contada. Deu prazer :) e por isso sou grata. Bjo Nac

    Luciene Felix Lamy
    Reply 8 de June de 2015

    Norma, sempre querida!
    Eis a "Jornada do herói", sobre a qual Joseph Campbell (como era lindo esse homem!) discorreu tão bem. É universal.

    Acabo de receber um e-mail (nem todos se manifestam aqui, mas tb pelo face e por e-mail) dizendo o seguinte: "vendo seu último post no blog da Consuelo, percebo que não sei nada depois de dezenas de idas em museus mundo afora..".

    Pois, posso afirmar com toda segurança que, se o turista conhece os mitos greco-romanos (ao menos os mais relevantes) está apto a compreender melhor uns 60% das obras dos museus*. Se além disso também souber um pouco de "História da Arte", abarca o restante do acervo, sem dúvida.

    O que temos aprendido aqui mesmo, no Consueloblog, onde já passamos por Giotto, por Botticelli, Rafael Sanzio, Ticiano e Da Vinci, já nos autoriza a identificar uma obra e saber se ela foi realizada antes, durante ou após o movimento Renascentista. Aliás, já dá para os leitores do Consueloblog saber até em que período do Renascimento (trecento, quatrocento ou cinquecento) determinada obra surgiu. UAU!!!

    Eu é que sou MUITO grata por teres conferido o Post, amiga. Mil beijos e até a próxima.
    lu.
    (*) Não somente dos museus, mas também dos parques, das praças, das estações de trens, da arquitetura pública e das ruas.

Maria Benincasa
Reply 8 de June de 2015

Lu, que maravilha!! Como as queridas do Salotto, também vou voltar e voltar e saborear mais e mais esse post!! Cada dia sou mais sua fã e tento absorver ao máximo um tiquinho dessa sabedoria.
Muito obrigada pelo regalo.
bjs da roça

    luciene felix lamy
    Reply 9 de June de 2015

    Bora pra lá, amiga!
    Daí tudo entra pelos ouvidos, pelos olhos e pelos poros, impregnando até a Alma. Despertar o apetite para esses deleites já basta, deguste sem moderação. E muito obrigada por teres vindo comentar, Maria. Mil beijos do mar, lu.

Marina Di Lullo
Reply 8 de June de 2015

Querida Lu, que linda homenagem ao seu pai (o meu tb era taurino, do dia 9)!! Que post incrível, ao nos falar de Perseu e seus feitos, como bem disse Ana Laura, nos deparamos com o mito da Medusa e todas as implicações do "conhece-te a ti mesmo". O herói tb nos remete ao inexorável. Após tantas lutas e glórias, Perseu não guarda rancor de seu rei avô e quer conhecê-lo. Porém, ao retornar à terra natal, a profecia do oráculo se cumpre e isto se torna impossível. A tragédia grega nos leva às estrelas e tb nos explicita os limites. Lu, os argonautas surgiram deste mito, pois vc fala de Argos. Beijos e obrigada

    luciene felix lamy
    Reply 9 de June de 2015

    Esses papitos de Touro, regidos por Vênus, como a própria deusa, são amorosos, ternos e sensíveis à beleza.

    Ana Laura fez uma leitura astuta, perspicaz!
    Perseu compreendeu o quão dramática era a motivação do avô em preferir abandoná-los.

    Exatamente isso, menina! É justamente disso que toda "paideia" (pedagogia) grega trata: da importância de se atentar aos limites, para não se incorrer em "hýbris", que é a desmedida. Aplausos à você, Marina!

    Quanto aos argonautas, trata-se sim, dos destemidos cidadãos de Argos, que partiam em suas "naus" (barcos) e seguiam em busca de aventuras. Os argonautas tem um papel MUITO importante no mito de Jasão e a conquista do velocino de Ouro. Menciono-os aqui, quando narro a tragédia de Medeia: http://www.esdc.com.br/audio/02.mp3
    Zilhões!!!

      Marina Di Lullo
      Reply 9 de June de 2015

      Oh querida Professora Lu, como és dadivosa!! Obrigada pelos aplausos, mas foi sua aula e sabedoria que motivaram minha fala e indagação. Fui conferir o link e adorei!! Aprendi sobre os argonautas, Jasão e Medéia. Muito obrigada!! Beijo grande

Marina Di Lullo
Reply 8 de June de 2015

Correção:...surgiram deste mito?

Maria Vilma
Reply 9 de June de 2015

PS: Esse post é mais que especial, Lú, é arrebatador!!!
Vida, arte e beleza se interpenetram... como sempre! Não me lembro agora quem disse: A arte é o que melhor nos ensina a melhor arte que é a arte de viver. E vc, Lu, é uma extraordinária professora de arte e (vida) amor.
Ah... Eu também tenho asinhas por fora e por dentro e acredito firmemente, que elas ainda me levarão a fazer um dos seus cursos...rsrsr
Qualquer coisa, farei como o seu papai. peço as asas do Hermes(Mercúrio) emprestadas... rsrsr
Muito obrigada por ser vc, esse presente de amor em nossas vidas, querida!
MaVi

    luciene felix lamy
    Reply 9 de June de 2015

    MaVi, donzela,
    Você é que um presente e tanto em nossas vidas!
    Ah, menos pra essa extraordinariedade toda, amiga. É fácil falar daquilo pelo qual se nutre paixão. Claro que te levarão às terras do troiano Enéas. Fé! Zilhões, querida.

Sandra Gorski Rego
Reply 9 de June de 2015

Querida Luciene!!!!
Como esquecer aquela manhã de sol deliciosa, que após tomarmos um capuccino con corneto di cioccolato na Piazza della Signoria, eu Laura e Cassandra nos deliciamos ouvindo você relatar o mito de Perseu na Loggia dei Lanzi. Aquela foi a nossa primeira viagem a Itália juntas, e o início de um sonho que com seu incentivo e a ajuda da Consuelo eu pude realizar falando das Nobres famílias Romanas e seus Monumentos para nossas queridas ouvintes que conosco estiveram em 2014. Este ano estaremos lá novamente pela terceira vez e Espero podermos continuar nessa empreitada sempre que Zeus permitir e poder ouvir te novamente relatando a cada ano para novas amigas que juntas faremos o que você faz com tanta paixão e eloquencia : nos transportar ao mundo da mitologia.

Bjsss

Sandra Gorski Rego

    luciene felix lamy
    Reply 9 de June de 2015

    Sandra, amiga querida,
    Manhãs deliciosas, tardes maravilhosas, noites de magia com a lua cheia diante da colunata de Bernini... Definitivamente, você é a melhor companheira de paralelepípedos! E de magníficos Palazzos também, claro! Bem, para um "rolezinho pela Europa" quem melhor que uma legítima filha Hermes (Mercúrio)? Estamos ansiosas em saber mais sobre os Medici: nos transporte para a trágica e gloriosa Firenze deles, amiga. E eu as transportarei ao Ílion (Tróia). Assim, a gente refaz a saga desse povo ardente, que conciliou o coração em chamas e as armas em punho através da Arte. A Itália é conjunção de Marte & Vênus! Zilhões!!!
    PS: E a Villa da princesa Camilla é em frente ao mar Tirreno. O negócio é botar a canga na mala para, Bacco a tiracolo, deitarmos e observarmos o que só se pode contemplar por lá: as constelações de Perseu, Andrômeda e Cassiopéia! \o/

Rogério
Reply 10 de June de 2015

Maravilhoso! Simplesmente apaixonantes os textos escritos pela Luciene!

Carlos Alberto dos Santos
Reply 23 de August de 2016

Ola. Você me concederia uma imagem dessas para publicar no jornal? Ótima qualidade!

    consueloblog
    Reply 24 de August de 2016

    Para qual jornal? Pode colocar se der o crédito na legenda da mimagem ao blog. Obrigada bjs c

Richard
Reply 22 de October de 2016

Meus parabens pelo blog, pelo material aqui criado. Estou em uma madrugada pesquisando sobre esculturas, eis que chego até aqui.

    consueloblog
    Reply 24 de October de 2016

    adorei receber o teu comentário! Obrigada! Esse post é da prof Luciene Felix Lamy!tem outros q acho q vc ira gostar aqui no blog!!bjs c

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