Três Gerações…


gerações

Foto para matéria do dia das mães da Revista Estilo de Maio 2017.   A matéria está linda com um texto tão carinhoso de Patricia Hargreaves e fotos lindas como essa de Maurício Nahas.

Bom dia Salotto!!  A foto acima foi feita mês passado para uma linda matéria da revista Estilo de Maio (nas bancas!) em homenagem às mães.  E o texto abaixo é o meu ponto de vista sobre o que herdamos, o que carregamos e o que passamos de geração a geração!…  Sempre em homenagem a essa sorte que é ser mãe… e filha! 


Olá!!

Um dia parei para pensar e reparei que em três gerações, as mulheres da minha família tiveram que passar por obstáculos importantes. Minha avó superou uma guerra e mudou de continente. Aquela história de sempre, sem um tostão e sem falar a língua.  Minha mãe se separou em uma época quando de tão incomum ainda era chamado de desquite!  Ela também ficou sem um tostão e, no caso, sem a nossa guarda.  Quando chegou a minha vez, divórcio já era normal e apesar de estar em outro país e com crianças pequenas (Allegra 4 e Cosimo 6), o stress só me ajudou a emagrecer!  O meu verdadeiro desafio veio mais tarde quando aos 47 anos, de um dia para o outro fiquei sem trabalho!  E isso já em época de crise… Mesma história sem um tostão!

Ops, e agora?!!  Olhei para os exemplos que tinha… hmmm…. se reinventar está no DNA da família.  O que quer que seja a minha situação comparada com a minha avó que passou por uma guerra?!!  Não vou me abater (bem lógico por um pouco exprimi o suco da vítima).  Na verdade era uma chance para fazer algo que eu realmente gostava!  Foi quando comecei a levar a sério o Consueloblog e transformá-lo num trabalho.  Entendi que tinha um potencial ali para falar desta vida nômade colorida que levo.  Sempre fui muito tagarela, e de repente pude contar a minha história do meu jeito!  Que privilégio!!  Me dediquei 1000%.  Só pensava nisso!  E fui construindo uma audiência que chamo hoje de Salotto (como os salões sociais europeus do século XIX).  Um termo carinhoso para me referir aos bate-papos que tenho com os leitores nas minhas mídias!

E daí notei algo de interessante.  Eu estava aprendendo a domar o mundo digital depois que minha avó havia feito a mesma coisa com o industrial (ela foi pioneira na indústria têxtil de moda e decoração no Brasil) e minha mãe com o editorial.  Nos momentos que elas tiveram que conquistar a dignidade nas suas vidas, elas exploraram o que havia de novo.  Tenho um baita orgulho deste legado!

Lembro quando nos primeiros anos de “desquitada”, minha mãe me contava sobre suas pequenas conquistas.  Encontrou um trabalho na Casa Claudia como produtora para Olga Krell.  Depois foi trabalhar para Claudia e lá existia também a Claudia Moda que saia uma vez por ano.  Foi nela que viu a sua oportunidade.  Teve idéias sensacionais como fazer edições inteiras em outros estados com o subsídio daquele governo estadual.  A moda no Brasil ainda estava no início e as belas fotos de artistas como Trípoli, J.R.Duran e Miro vinham com Gisele, Dalma e Betty Lago (entre outras maravilhosas) de cabelo ao vento (mega-ventilador) e muitos alfinetes corrigindo a modelagem nas costas (uma vez no Natal demos de presente à minha mãe uma pulseira de plástico de costureiras com uma almofadinha verde (minha cor favorita) para os alfinetes).  Pouco a pouco, de uma edição ao ano Claudia Moda passou a 10 (se não erro) cheinhas de publicidade!!

Mas isto vinha com um custo… quase não via a minha mãe que trabalhava como uma louca dia e noite durante a semana e nos fins de semana.  Para vê-la tinha só uma solução… ir com ela ao trabalho.  Imaginem o que era para uma menina careta dos anos 70, gordinha com sardas e dente quebrado entrar no estúdio escuro e todo preto do Trípoli, com Pink Floyd no hi-fi em volume 10 e só um aquário para iluminar o ambiente.  Único lugar com luz onde tinha jeito – às vezes – de fazer o dever de casa era no banheiro.  Porém preferia muito mais conversar com os maquiadores e cabeleireiros que me ensinavam tudo sobre Isadora Duncan e o mundo gay com grande naturalidade.

E quando indo ao Guarujá para um shoot com Duran, ele decidiu parar e fotografar no gramado central da estrada?  Demorou e comemos um sanduíche.  Na hora de partir percebi que tinha perdido o aparelho de dente.  Toda equipe, modelo, mãe, fotógrafo e eu procurando o bendito com carros passando a mil por hora do nosso lado!  Foi uma época surreal que me ensinou mais do que eu podia imaginar e que me moldou para sempre.

A vida passou, meus filhos estão em universidades pelo mundo afora e eu hoje com o blog consigo comunicar com milhares de pessoas que tem algo em comum comigo.  O que mais leio é que sou “gente como a gente” coisa que me faz muito feliz!  Eu adoro compartilhar!  Tenho feito isto há 6 anos.  Inclusive no final de 2016 senti a necessidade de reestruturar a forma que trabalho pois não fazia mais sentido para mim.  Então gravei um vídeo falando sobre isto (AQUI) e muitas pessoas me escreveram dizendo como as ajudou.  Portanto, compartilhar pode ser terapêutico!  Como li em algum lugar: “Sinta o medo mas faça de qualquer jeito!”  Foi o que fizemos por três gerações, e o orgulho de carregar este legado é enorme!

Com a minha irmã, Alessandra, estamos escrevendo um livro que contará todas as histórias que marcaram essas três gerações. Com a editora Planeta e sairá logo!! 

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