Sobre Dor…


dor

Cris…

Cris é uma amiga virtual.  A conheci nessas páginas do blog e entre um email e outro viramos amigas.  Ela colabora há anos aqui no Consueloblog e seus textos, inspirados em passagens literárias, sempre me explicam a vida um pouco melhor.  São aquelas sutis observações que esclarecem tornando o viver mais leve.  Mais doce.  

Este é outro de seus lindos textos, original para nós.  Se quiserem ver mais, Cris tem o seu blog Mania de Citação (AQUI) e Instagram Prosa e Poesia (AQUI).


 

IRMANAR-SE (OU: SOBRE DOR)

 

“[…] um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele.

Guardei a minha no bolso. E fui.”

Caio Fernando Abreu

Cris M. Zanferrari

 

Todo mundo tem uma dor. Parece uma banalidade de se dizer, mas da próxima vez que você começar a se sentir arrasado, deprimido, desanimado ou invejar uma postagem glamorosa nas redes sociais, achando que falta glamour na sua própria vida, lembre-se: essa pessoa, que recebeu milhares de curtidas e sorri em uma selfie para a câmera, também tem uma dor.

Não, não me compraz nem um pouco saber que todas as pessoas padecem, sofrem, que a vida dói. Ao contrário, sinto uma pena enorme de saber que ninguém, absolutamente ninguém, é imune a dor. Por outro lado, e não existindo no mundo o sofrimento, por que outra razão haveríamos de nos solidarizar uns com os outros? Pois sim, a dor existe para nos irmanarmos. Um exemplo? Tem gente que só descobre o quanto é amado quando anuncia estar com câncer. É mencionar a palavra fatídica e as pessoas em redor se mobilizam, se prontificam a ajudar, levam uma palavra de consolo, recomendam terapias diversas, rezam, oram, se fazem presentes, se (re)aproximam. Sim, a dor do outro nos comove e, de alguma forma, tira-nos do centro de nossa própria dor.

Faz alguns dias assisti __ e preciso dizer que foi assim, meio ao acaso, porque talvez não o fizesse de caso pensado__ o documentário “Gaga: Five Foot Two”, produzido e estrelado pela própria cantora, e o que vi na tela foi muito mais do que um ícone pop, foi a imagem de um ser humano fragilizado pela dor. Ok, pode até ser que o filme seja uma estratégia de marketing para promover a nova fase musical de Gaga, mas há que se reconhecer que as cenas de dor protagonizadas pela estrela passam bem longe do glamour. E se o sofrimento de Lady Gaga em nada difere do sofrimento de milhares de pessoas com fibromialgia é precisamente porque a dor não faz distinção, antes nos iguala, nos faz perceber o que realmente somos: semelhantes.

Claro, nem todas as dores se fazem visíveis, aparentes, palpáveis. Há dores psíquicas, existenciais, emocionais. Há dores inconfessáveis, inexpugnáveis, inconsoláveis. Sendo dor, dói. Além de tudo, é intransferível, tal como o próprio nome da gente. O importante é que cada um reconheça a sua porque, afinal, nada nos torna mais íntimos de nós mesmos do que a dor com que __ aprendemos ou temos de aprender__ a conviver.

E por falar em convivência, importa notar que toda dor é incomparável. Jamais pense em minimizar a dor do outro ao compará-la com a de alguém que, na sua opinião, sofre mais. A dor é exclusivamente de quem a sente e quem a sente está sentindo segundo a sua própria escala de dor, que só varia a partir de si mesmo. Então, se regra há, há de ser esta: diante da dor do outro, calar. Diante de nossa própria dor, escutar. É que a dor sempre tem algo a nos dizer, a nos mostrar. A dor é uma voz. Cada um só pode ouvir bem a sua própria. Às vezes, dói baixinho; às vezes, dói alto. É uma voz que nunca se cala; no máximo, concede alguns raros momentos de trégua.

Por isso__ e parece outra banalidade de se dizer__ a verdade é que se a gente olhasse para o outro e enxergasse no fundo dos olhos, além da cor, a dor que o indivíduo carrega, talvez a gente passasse a se olhar, uns aos outros, mais demoradamente, com mais compaixão, tolerância e alguma compreensão. Talvez a gente escutasse mais, perdoasse mais, se a gente entendesse, enxergasse e aceitasse que todo mundo, neste mundo, tem uma dor. Não servindo isso de alívio ou consolo, que sirva para sermos mais irmãos.


Outros textos lindos de Cris aqui do blog:

O que melhora o mundo por Cris M. Zanferrari
Mãe – Rivotril
Além do Bojador
Cuidar das Palavras

 

Oliver contemplativo…

 

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55 Comments

Karoline Fernandes
Reply 10 de November de 2017

A dor é tão horrível que as vezes você tem quê ser amiga dela.... E aprender a passar por ela que uma hora ela vai embora.... Há, eu em pensamento falo isso todos os dias.... A minha dor é da perda.... Eu perdi muitas pessoas esse ano, e o vazio ainda é presente sabe.... Eu não sei explicar o porquê inda sinto essa sensação mas.... Me disseram que, o corpo vai mas a alma é que fica, as lembranças dos bons momentos.... E é isso que ainda me conforta.... 😢

    Cris M. Zanferrari
    Reply 10 de November de 2017

    Karoline querida,
    Drummond disse que a ausência é uma presença! Somos constituídos também desses vazios...e quem parte sempre leva um pouco de nós em si e deixa um pouco de si em nós. Acho que se há mesmo um consolo, é exatamente isso!!
    Bjo afetuoso pra vc!!

      Karoline Fernandes
      Reply 11 de November de 2017

      Obrigada

      consueloblog
      Reply 13 de November de 2017

      Cris, vc deveria ser uma igreja! bjs c

Beatriz Helena
Reply 10 de November de 2017

Um texto absolutamente indispensável. Vou guardá-lo na memória, e tenho certeza que vai me ajudar a ser uma pessoa melhor

    Cris M. Zanferrari
    Reply 10 de November de 2017

    Beatriz, querida!!
    Que gratificante saber que o texto despertou esse sentimento!!
    Muito obrigada, querida!!
    Bjo carinhoso

heloisa
Reply 10 de November de 2017

Consuelo
Nada a ver com dor, mas quero agradecer muito por voce ter me indicado o Aartamentos em Florenca. Eles tem procurado bastante encontrar algo que satisfaca meus pedidos. O que se aproximou mais foi o apartamento Strozzi, mas e dificil de decidir.
Uma amiga ficou 3 meses no apt. Ippolita, na Pca Aldobrandini e adorou. Estou na duvida sobre qual sera melhor. As 2 localizacoes sao otimas, mas queria o melhor mesmo, pq ha 30 anos vivendo numa cidade otima da Florida (mas que nao se compara a Firenze) casada com americano, da idade de sua mae, me fez ficarmeio exigente...
O maximo de tempo que fiquei direto ai foram 15 dias muito tempo atras. Ultimamente, sempre 1 semana- 10 dias, mas sempre em hoteis. Agora quero viver como local um mes e espero aumentar o tempo daqui p/ frente.
Um grande abraco, obrigada de novo, e continue sempre sendo como e,
Heloisa
ps- v. conhece alguma destas propriedades?

    consueloblog
    Reply 13 de November de 2017

    olá! Essas coisas são super pessoais. Não consegui ver o apt ippolita mas acho q entendi o endereço. Prefiro o Strozzi.
    bjs
    c

LUCIA BRASIL
Reply 10 de November de 2017

Falar sobre a dor, é falar sobre nossa própria humanidade. Não há neste mundo quem não sofreu e sofre uma dor. seja física, seja espiritual.Muitas vezes ocorre ainda, a dor sobreposta a própria dor. Explico: quando tive câncer, muitas pessoas que eu julgava serem amigas, afastaram-se.Esta é uma dor sobre a outra dor. Mas,.... ficaram os verdadeiros amigos. Aqueles que não estavam comigo por eu ser uma pessoa pública, com cargos, festas, viagens.Ficaram porque viram que como humanos, poderiam passar pela mesma dor. o câncer além de maltratar fisicamente, humilha, nos faz rastejar, transforma...Mas, através desta dor que dilacera, nos faz melhor como pessoa.Aprendi muito com a doença. Fiquei dez meses em quimioterapia e mais cinco anos em tratamento. Curada, me vejo como um outro ser humano. Como o Oliver, o cãozinho da foto: Contemplativa.Lindo texto. Parabéns a Cris.

    Cris M. Zanferrari
    Reply 10 de November de 2017

    Lúcia, querida!!
    Quanta lição você tirou da dor!! Muito obrigada por ter vindo aqui compartilhá-la conosco! Você é uma guerreira e uma inspiração pra todas nós, pode ter certeza!!
    Bjo com admiração!

      LUCIA BRASIL
      Reply 13 de November de 2017

      È Cris a gente vai pela dor ou pelo amor. Eu fui pela dor e me transformei em amor. Foi super válido!Gratidão a Deus pela oportunidade de vê-lo através dos meses que fiquei parada numa cama, apenas refletindo.Pelas imensas náuseas e vômitos que limparam meu ser por inteiro.Hoje eu posso contemplar todas as imensidões sem medos.Ainda me assusto... mas passa logo. Rsss. Beijos Deus contigo.

    consueloblog
    Reply 13 de November de 2017

    Lucia, sem dúvida te fez muito mais corajosa! Obrigada por compartilhar!
    bjs
    c

      LUCIA BRASIL
      Reply 13 de November de 2017

      Verdade Consuelo, a gente perde muito do medo e passa a enfrentar os sustos com mais garra .Bjs e fica com o Todo Poderoso, porque com certeza Ele estar conosco.

Glória Jane Melo
Reply 10 de November de 2017

Querida Cris,
Um texto primoroso. Como sempre capaz de mudar pontos de vista. Nada a acrescentar, só refletir.

    Cris M. Zanferrari
    Reply 10 de November de 2017

    Querida Glória!!
    Suas palavras sobre o texto me deixaram muito feliz e chegaram em boa hora!! Muito obrigada, amada!!
    Bjo de gratidão!

Andreia Mota
Reply 10 de November de 2017

Querida Cris, que saudade!
O tempo e a dor, quanto tempo dura uma dor? A vida toda, um segundo, um dia, não importa o tempo, tudo passa. Obrigada querida pelo texto que nos faz parar para ler e refletir. Beijo grande!

    Cris M. Zanferrari
    Reply 10 de November de 2017

    Andreia, amada!!!
    Saudade também, sabia??
    Você pergunta "quanto tempo dura uma dor?" e eu lembro de Carrascoza, que diz: "viver dói até o fim". Acho que é isso mesmo, uma dor pode passar, mas logo outra toma o seu lugar...por isso dói até o fim. E mesmo assim, ainda há alegria e contentamento no meio do caminho, né?
    Muito obrigada pelo seu carinho a cada texto, amiga!!
    Bjo com o desejo de tudo de bom!!

      consueloblog
      Reply 13 de November de 2017

      Que lindo isto!! Sinto muito isso... bjs queridas! c

Andrea - Curitiba
Reply 11 de November de 2017

Nossa querida Cris sempre nos brindando com suas perolas, com seus textos que nos fazem pensar, chorar, sorrir....Bjs e obrigada!!

    Cris M. Zanferrari
    Reply 12 de November de 2017

    Andrea amada!!!
    Escrevo porque alguma coisa, alguém ou um texto também me fizeram pensar, rir ou chorar! Então fico muito feliz de saber que meu texto também provocou outros e novos sentimentos!
    Muito obrigada, querida!! Bom domingo pra vc e os seus amados!!
    Bjsssssssss com muito afeto!

Denise Luna
Reply 11 de November de 2017

Lindíssimo texto, Cris,
Como um professor meu diz: Temos que nos tornar sabedores da nossa dor ou ela não vai passar ou pelo menos, abrandar.
Por trás de muitos sorrisos forçados encontram-se dores imensas, não é mesmo?
Bjs

    Cris M. Zanferrari
    Reply 12 de November de 2017

    Delinda, querida!!
    Sim, reconhecer nossa dor é o primeiro passo em direção a abrandá-la. A minha, identifiquei na fala de um personagem de um livro lido há muito tempo: "Minha dor é o medo." Reconhecer o medo como uma dor me ajudou a enfrentá-lo melhor!!
    Obrigada, amada, e um ótimo domingo pra vc!!
    Beijão!!

      consueloblog
      Reply 13 de November de 2017

      Tão verdade!!! Minha dor é o medo! bjs c

Marina
Reply 12 de November de 2017

Cris, maravilhoso texto, obrigada pela partilha.
É daqueles textos para guardar e reler. Realmente a dor é pessoal e intransmissível.
Bom domingo,
Bjs

    Cris M. Zanferrari
    Reply 12 de November de 2017

    Marina, amada!!!
    Essas palavras vindas de uma aluna da mestra Noemi Jaffe, é um super elogio, sabia? Muitíssimo obrigada, querida amiga!!
    Um lindo e abençoado domingo pra vc também!
    Bjo afetuoso!

Marina
Reply 12 de November de 2017

Cris, há outra Marina aqui no Salotto, certamente a pessoa a quem você pensava estar respondendo, estou certa? :)

Um beijo,
Marina Marques

    Cris M. Zanferrari
    Reply 12 de November de 2017

    Sim, querida, estava pensando na outra Marina...hehehe...desculpe-me!
    Mas fico igualmente agradecida pelas tuas palavras! Saber que o texto vai ser guardado e relido me deu um contentamento enorme, sabia??
    Bjo afetuoso, amada!

Maria do Carmo Lapa Monteiro
Reply 13 de November de 2017

Lindo texto e muito profundo!
Parabéns a Cris!!! E Parabéns a Consuelo por conceder esse espaço para temas tão ricos!
Ah! A Dor!...desse assunto eu bem sei...mas como diz Cris, a dor é individualizada...personalizada e ao mesmo tempo universal porque ninguém está isento! E isso me remete à frase de Caetano Veloso: "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"
O que pude observar passando por momentos de dores é que a melhor maneira de lidar com a dor é aprender com ela...se aprofundar nela...fazer a leitura, tirar as lições e fazer o dever de casa! Aí então poderemos sim transformar ese aprendizado em uma rica experiência de solidariedade à dor do outro.
Fazer a diferença na vida de outras pessoas é a experiência humana mais satisfatória que existe, nos coloca em uma dimensão de plenitude máxima!
Falo isso porque aconteceu comigo.
Tive câncer de mama, fazem 22 anos. O câncer é uma doença que trás um forte estigma que precisa ser superado, por isso causa um sofrimento físico e moral. No meu caso foquei mais no prejuízo físico e me impliquei na cura. Esse momento de profunda reflexão me inspirou a idealizar e fundar uma ONG (Viva Maria) que atuou durante 14 anos para mulheres, realizando um trabalho de Educação em Integralidade da Saúde. Um trabalho de caráter preventivo e de efeito terapêutico. Foi uma experiência transformadora para a vida das mulheres que participaram, para os profissionais que realizavam o trabalho e especialmente para a minha vida.
Por isso me identifiquei muito com seu texto Cris: "Que a dor sirva para sermos mais irmãos"!

    consueloblog
    Reply 13 de November de 2017

    Minha lindissima! Obrigada pela doçura de compartilhar a tua dor! bjs c

    Cris M. Zanferrari
    Reply 13 de November de 2017

    Querida Maria do Carmo!!
    Você transformou a dor em amor!!! Que lindo e emocionante saber da sua história. Não poderia haver um exemplo mais concreto e significativo do que é irmanar-se pela dor! Muito obrigada por ter compartilhado!!!
    Um abraço bem apertado e recheado de muito carinho pra você, amada!!!

Maria do Carmo Monteiro
Reply 13 de November de 2017

Oh! Consuelo querida! Eu que agradeço o espaço para compartilharmos experiências e aprendizados! É muito importante! Bjos
Fui lê o que escrevi e que horror! Os erros: ...é uma doença que traz e não trás...rs desculpem os erros!!!

Karyne Lacerda
Reply 13 de November de 2017

Ao ler este texto maravilhoso, no alto dos meus 50 anos, lembro-me do meu professor de ballet (Carlos Moraes, meu mestre querido que já se foi) ele sempre dizia em tom firme durante as aulas: " se não estiver doendo é porque ainda não está no caminho certo! E quando começar a doer, dedique-se e esforce-se para que ninguém perceba sua dor. Assim, serão cada vez mais belos!
E então buscávamos com coragem e esperança esta tal "dor", na certeza de que passando por ela, seríamos cada vez melhores, mais fortes, mais leves...

    consueloblog
    Reply 13 de November de 2017

    Nossa o ballet realmente é uma analogia para a vida! bjs c

    Cris M. Zanferrari
    Reply 14 de November de 2017

    Karyne querida!!
    A nossa musa Consuelo disse tudo! O ballet é uma perfeita analogia da vida!!
    Muito obrigada por compartilhar, querida!!!
    Bjo afetuoso

Mar
Reply 13 de November de 2017

Adorei Cris!!! Com certeza falar da dor ajuda a torná-la mais suportável. Infelizmente, quando adoecemos mais seriamente, algumas pessoas se afastam...a sensação é que parecem ter medo de se contaminar. Se contaminar com a tristeza de quem sofre, afinal existe o mito da felicidade, da vida perfeita (a vida da rede social)!
A Lucia Brasil falou sobre isso, a dor sobre a outra dor...
Depoimentos como o a da Lady Gaga são super válidos, pq precisamos todos falar mais sobre isso, para quem sabe despertar a empatia ou a compaixão...
Obrigada Cris!!! Bjks

    Cris M. Zanferrari
    Reply 14 de November de 2017

    Sim, Mar, é isso mesmo: falar sobre a dor ajuda a amenizá-la! E ainda acende em nós o facho da empatia e da compreensão!
    Muito obrigada pelo seu carinho, querida!!
    Bjo carinhoso

Susy Zocolaro
Reply 14 de November de 2017

Penso que tudo que passamos na vida é um aprendizado, mas, confesso que muitas vezes esse é um fardo bem pesado de carregar. Faço 51 anos em dezembro próximo e desde os 12 anos convivo com a dor crônica causada pela fibromialgia em decorrência do lúpus. Além do sofrimento, às vezes quase insuportável, nesses 39 anos, sofri todo tipo de humilhação e descaso, inclusive de profissionais da saúde, que deveriam me ajudar a encontrar algum conforto. Em momentos de extrema dor, ao estar sendo medicada em um pronto socorro uma vez ouvi uma enfermeira dizer que se eu tivesse que me levantar às cinco da manhã pra trabalhar não teria tempo pra ficar de frescura. Eu sempre acordei cedo, trabalhei fora, criei duas filhas, cuidei da minha casa, apesar das minhas dores. Em outra ocasião, um enfermeiro me disse que eu precisava de um bom tanque de roupas pra lavar. Sempre gostei de lavar roupas, é uma tarefa que me acalma. Separo as roupas mais delicadas, as brancas das escuras, as da casa, as de cada um de nós. É um exercício de relaxamento que eu recomendo. Dizer que devo lavar a minha roupa não me ofende! Me sinto muito bem por sempre ter feito isso, por saber fazer esse trabalho, por ter ensinado minhas filhas e até o meu marido a fazer o mesmo. Tudo o que aprendemos nos torna mais independentes. E não se trata de não ter como pagar para que façam por nós, e sim porque saber fazer qualquer coisa nos capacita a ensinar, a orientar e a ser útil. Nunca me ofendi com essas coisas, apenas me entristeci algumas vezes pela falta de solidariedade e pela presunção das pessoas que achavam que porque tenho uma comdiçao financeira melhor, não posso sentir dor, apenas fazer cena para chamar a atenção. Seria insano tomar morfina para chamar atenção! Mas ouvi isso muitas vezes, inclusive de médicos, cujas consultas foram caríssimas. Mas tem aquela coisa de que médico pensa que é Deus e aí de nós se contrariamos sua pretensa onipotência. Seria tão melhor, tão mais humano se nos dissessem, olha, eu ainda não sei muito sobre esse problema, mas me comprometo em ajudá-la a encontrar, se não a cura, algo que lhe proporcione uma melhor qualidade de vida. Estou contigo! Pronto! Não é o que precisamos nos momentos difíceis? Pois é, mas nem sempre é assim. Todos nos olham com desconfiança; será que está doendo mesmo? Sim, está! Doi sentir dor e dói mais ainda o preconceito! Se não houver uma fratura exposta, uma ferida sangrando ou um diagnóstico de uma doença de categoria letal não nos cabe o direito de sentir dor?! Espero que agora, com a coragem de pessoas famosas e icônicas como Lady Gaga, Selena Gomes e outras que ainda se manifestarão, as pessoas passem a ter consciência de que a nossa dor é verdadeira e que ela não faz distinção entre pobres e ricos nem entre famosos e pessoas comuns. A dor realmente nos iguala! E tomara que, depois dessas revelações explícitas de humanidade dessas mulheres, as pessoas acreditem que muitas vezes as piores dores são aquelas que vão além do que se pode ver. A minha dor dói, mas o preconceito, ah, esse dilacera a qualquer um.

    Cris M. Zanferrari
    Reply 14 de November de 2017

    Susy , amada!!
    Quanta dor provocam esses terríveis preconceitos!! Saber que eles existem até mesmo na classe médica, da qual se espera um mínimo de compreensão, deve ser mesmo muito decepcionante.
    Mas, olha, adorei saber sobre você e sobre a forma como lida com essas questões!
    Muito obrigada, querida!!
    Bjo fraterno!

      Susy Zocolaro
      Reply 14 de November de 2017

      Querida Cris! Obrigada por sua atenção, gentileza e principalmente por suas palavras tão solidárias e afetuosas. Gostei demais de sua maneira de falar sobre questões tão íntimas e delicadas. Você dá voz aos sentimentos e com isso motiva as pessoas a falar sobre si próprias. Um dom raro que nos ensina que uma pessoa com olhar generoso encontra doçura para falar até sobre as amarguras da vida, da dor...lindo demais, linda Cris! Um beijo e um abraço apertado pra você

        Cris M. Zanferrari
        Reply 15 de November de 2017

        Susy!!!!
        Que comentário carinhoso!! Muito obrigada, amada!! Posso sentir, mesmo à distância, a pessoa sensível e amorosa que você é!!
        Fique bem, minha querida!!
        Bjo grande!

    consueloblog
    Reply 15 de November de 2017

    Suzy, a dor te fez corajosa e sábia! Obrigada por existir e ensinar a todos nós! bjs c

Ezio Belli
Reply 14 de November de 2017

Há um grande segredo relativo ao momento em que mais sentimos vontade de desistir: Logo depois dele, do outro lado, existe uma zona de milagres. Quando sentimos que não dá mais para aguentar, é imperativo que sigamos em frente! Atravesse essa parede e você vivenciará um milagre. Yehuda Berg

Ezio Belli
Reply 14 de November de 2017

A vida é passageira como a "dor"...
Bela como o "amor"...
Simples como "eu"... Importante como "você"...
Por isso lute... Perdoe ... Ame... Conquiste, aproveite cada segundo.
Se você tiver que escolher entre ser feliz ou ser importante, escolha ser feliz por que importante você já é !!!!

    Cris M. Zanferrari
    Reply 14 de November de 2017

    Obrigada pela reflexão, Ezio!!
    E também pelas palavras de Yehuda!!
    Abraços fraternos!

Melinha
Reply 14 de November de 2017

..Cris adorei o texto, fiquei pensando aqui nas minhas dores e das que já superei. Eu vejo pessoas que lidam melhor que outras, não tanto com as dores físicas, mas com estas do dia a dia, do que outras. Penso que está na educação, na autoestima o que vc. acha? Consuelo, eu tbém já senti mts dores de medo(acho que mãe até sente mais drrrr...) hj estou mais habilidosa...rss... bjks gurias!

    consueloblog
    Reply 15 de November de 2017

    acho q a vida, com a dor, é um aprendizado diário... ao menos para mim pois medo me dá dor! Às vezes até física! bjs c

    Cris M. Zanferrari
    Reply 15 de November de 2017

    Melinha querida!!
    Com certeza, cada um lida de uma forma diferente com a dor. Se alguma coisa aprendi, foi que jamais podemos subestimar a dor alheia!! Há dores que não se veem e que podem doer mais que uma ferida aberta.
    Bjo afetuoso!

Elaine Toscan
Reply 14 de November de 2017

Texto fabuloso e emocionante, parabens!! e obrigada por nos ensinar a cada dia!

    Cris M. Zanferrari
    Reply 15 de November de 2017

    Muito obrigada, Elaine!!
    Fiquei muito feliz de saber!
    Bjo, querida!!!

ilse ana piva paim
Reply 15 de November de 2017

Cris, tua sensibilidade transcende. Precisamos de pessoas como tu, que fazem da dor um poema.
Que nos ensina a ver com olhos sensíveis nosso universo.
Bjs. Parabéns.

    consueloblog
    Reply 15 de November de 2017

    Assino embaixo! bjs c

    Cris M. Zanferrari
    Reply 15 de November de 2017

    Amada minha!!!!
    Tu vieste aqui escrever para mim! Vibrei de alegria!!!!!
    Tu bem sabes o quanto te admiro e te quero bem, minha artista, profe e amiga do coração!!
    Bjo cheio de emoção!

Marina Di Lullo
Reply 17 de November de 2017

Querida Cris, como você bem escreveu: "Então, se regra há, há de ser esta: diante da dor do outro, calar. Diante de nossa própria dor, escutar."
E que a viagem seja vivida por inteiro, com todos os caminhos e descaminhos, se pudermos doar essa chama que habita no interior, para um ser que seja, com toda força, luz e amor, terá valido a pena.
Beijo grande amiga,
Marina Di Lullo

    Cris M. Zanferrari
    Reply 18 de November de 2017

    Também penso assim, Marina!! Por um só que seja, já terá justificada toda uma vida!!
    Bjo afetuoso pra vc, amada!!!

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