Astrologia: Vênus e “O banquete” de Platão, à luz de Ticiano.

Nossa querida amiga, Prof. Luciene Felix Lamy, nos presenteia com outro super post!!  Desta vez falamos de Vênus, Platão e Ticiano!!!

 

Astrologia: Vênus e “O banquete” de Platão, à luz de Ticiano.

 

Allegravênus

Fruto do Céu (Ouranós) e da Terra (Gaia), a deusa do amor e da beleza, Afrodite (Vênus) é a dynamis mais potente do Universo. Tudo o que há no mundo, seja em que esfera for, nasce e se move através dela. Por ela, para ela, nações são destruídas, impérios são erigidos.

Amigos do ConsueloBlog, no Post desse mês, abordamos o significado do posicionamento do planeta Vênus em nossos mapas, filosofamos com o maior renascentista veneziano, Ticiano Vecellio, analisando a obra “Amor sagrado e amor profano”, em cuja cena figura as duas versões da deusa do amor e da beleza e convidamos a mais uma experiência única, completa, inesquecível.

No “O banquete”, Platão afirma que mesmo que esteja passível de cometer um engano, um erro de pessoa, quem ama verdadeiramente é digno de nobreza.

No “O banquete”, Platão afirma que mesmo que esteja passível de cometer um engano, um erro de pessoa, quem ama verdadeiramente é digno de nobreza.

Para saber em qual signo está o planeta Vênus, faça seu mapa AQUI

Segundo Stephen Arroyo, na obra “Normas práticas para a Interpretação do Mapa Astral”, assim como Mercúrio, Vênus representa influxo e escoamento de energia; seu posicionamento nos vários elementos expressa-se como um intercâmbio de amor, afeto e prazer sensual com os outros. O elemento da Vênus de uma pessoa representa a maneira como ela expressa afeto e interesse pelos outros, a maneira como manifesta seus sentimentos.

Esta fase corresponde ao escoamento do princípio de Vênus; entretanto, a fase de influxo é igualmente importante. Esta representa os tipos de experiência e de expressão que suprem a necessidade de ligar-se aos outros e ajudam a pessoa a sentir-se amada e apreciada.

Vênus, nas mulheres, tem relação com o ego feminino. A mulher precisa viver as qualidades do seu signo de Vênus a fim de sentir-se feminina. Ela mostra também a maneira como a mulher recebe e dá de si mesma no amor e no sexo.

Vênus, via de regra, atua mais como indicador sexual para as mulheres do que para os homens. Esse planeta indica a maneira como a mulher encara qualquer relacionamento que pode acabar levando a sexo, bem como as relações sociais menos íntimas.

Para os homens, Vênus associa a romance, beleza e imagens que lhe parecem particularmente encantadoras e atraentes. Descreve o tipo de mulher que exerce atração erótica sobre um homem, que satisfaz seus conceitos estéticos e desperta seus sentimentos*.

Este planeta também se relaciona com os ideais do homem em termos de amor, sexo e relacionamentos. Entretanto, Vênus não é especificamente sexual; para os homens, Marte simboliza muito mais a energia sexual. Na natureza sexual das mulheres, contudo, tanto as energias de Vênus quanto as de Marte são componentes importantes; elas se misturam e, em geral, são mais inseparáveis do que acontece com a maioria dos homens.

O planeta Vênus está sempre próximo à Lua: é a famosa estrela d'Alva. Rege os signos de Touro (vespertina/pandêmia) e de Libra (matutina/urânia).

O planeta Vênus está sempre próximo à Lua: é a famosa estrela d’Alva. Rege os signos de Touro (vespertina/pandêmia) e de Libra (matutina/urânia).

Significado do planeta Vênus em cada elemento (Fogo, Terra, Ar e Água):

Vênus em signos de Fogo: Afeto e apreciação apresentam uma expressão energética, direta e grandiosa. Sente amor e ligação com o outro pela participação conjunta em atividades vigorosas, pelas aspirações e entusiasmos compartilhados.

Vênus em signos de Terra: Afeto e apreciação apresentam uma expressão palpável, confiável e física. Sente amor e ligação com o outro por meio do compromisso e da construção da vida em comum, bem como por meio do prazer sensual e da divisão de responsabilidades.

Vênus em signos de Ar: Afeto e apreciação expressam-se por meio de intensa comunicação intelectual e senso de companheirismo. Sente amor e ligação com outro por meio do diálogo, da afinidade mental, do convívio social mutuamente agradável.

Vênus em signos de Água: Afeto e apreciação apresentam uma expressão emocional e solidária. Sente amor e ligação com o outro por meio do intercâmbio de sensibilidade e sentimentos num nível sutil, levando a uma sensação de profunda fusão.

(*) A ênfase de Vênus é despertar os sentimentos de maior carga erótica, a sensualidade e o romantismo. A Lua, no mapa de um homem, representa o tipo de mulher capaz de atraí-lo em vários outros níveis de companheirismo, capaz de despertar outros sentimentos, tais como a necessidade de segurança, de apoio, de cuidado, e a sensibilidade de modo geral.

Democrática, Vênus apresenta-se aleatoriamente, independente de classe social. Quando nos paralisamos diante da presença de uma bela mulher, já não é ela, mas a deusa que a habita.

Democrática, Vênus apresenta-se aleatoriamente, independente de classe social. Quando nos paralisamos diante da presença de uma bela mulher, já não é ela, mas a deusa que a habita.

Posição de Vênus por signo: como o indivíduo exprime o afeto, sente-se apreciado e dá de si mesmo.

Vênus em ♈ Áries: exprime o afeto diretamente, impulsivamente, entusiasticamente. Os gostos e prazeres de cunho emocional florescem quando a energia se volta para experiências novas. Gosta particularmente dos estágios iniciais dos relacionamentos. A necessidade de ligação com o outro pode ser frustrada devido ao alto grau de autoafirmação e exigências; dessa forma, às vezes é difícil chegar à intimidade. Valoriza a individualidade, a iniciativa e a independência, em si e nos outros. Dá de si mesmo energeticamente, e responde à vigorosa liberação de energia dos outros.

Vênus em ♉ Touro: exprime o afeto fisicamente, calorosamente, estavelmente, possessivamente. Dá de seus próprios recursos interiores; responde à energia sensual e profundamente centrada dos outros. A necessidade de dar seu afeto pode ser tolhida pela avareza emocional, pela possessividade ou pela relutância em liberar seus sentimentos ou perder o controle. Aprecia intensamente as sensações físicas: visão, som, aroma, paladar, tato; gosta do contato com a natureza.

Vênus em ♊ Gêmeos: Exprime o afeto verbalmente, inteligentemente, despreocupadamente, jocosamente. Precisa falar imediatamente sobre o que pensa e percebe, a fim de sentir-se próximo ao outro. Os gostos de cunho emocional estão sempre mudando conscientemente; dá muito valor à diversidade e à comunicação mental. O impulso do prazer é matizado pela curiosidade instável, pela loquacidade e pela amabilidade; sente atração pela inteligência e pela presença de espírito. A necessidade de variar e ter sempre estímulos novos pode inibir as oportunidades de ter relacionamentos duradouros e profundidade interpessoal que vá além da superfície.

Vênus em ♋ Câncer: Exprime o afeto sensivelmente, confortavelmente, protetoralmente, tenazmente. Precisa cuidar e ser cuidado, sentir-se parte de uma família, para ficar à vontade. O impulso do prazer e da intimidade pode ser prejudicado pela instabilidade de humor, pela timidez, pela avareza e por sentimentos excessivamente autoprotetores; tem facilidade em refletir os prazeres e estados de espírito dos outros. A receptividade e a dependência sempre fazem parte da sensação de intimidade.

Vênus em ♌ Leão: Exprime o afeto calorosamente, dramaticamente, entusiasticamente. Os gostos de cunho emocional são influenciados pelo orgulho e pela necessidade de reconhecimento. Dá de si mesmo com vitalidade criativa e recebe dos outros com elegância e orgulho. A sociabilidade e a expressão do amor são matizadas pela jocosidade, pela generosidade e pela lealdade. O intercâmbio de sentimentos mais profundos com o outro pode ser dificultado pela necessidade de ser o centro das atenções ou de dominar a vida emocional do outro.

Vênus em ♍ Virgem: Exprime o afeto realisticamente, modestamente, solicitamente, timidamente. A necessidade de prestar serviços e ser útil gera satisfação emocional. Sente prazer com a atenção minuciosa a detalhes e com a atividade mental analítica. Precisa de lógica e praticidade para se sentir à vontade e em harmonia. O excesso de solicitude, as críticas banais ou a reserva natural podem interferir com o intercâmbio emocional e a expressão da paixão.

Vênus em ♎ Libra: Expressa o afeto alegremente, atenciosamente, charmosamente, harmoniosamente. A troca com os outros é matizada por equilíbrio, equanimidade e delicadeza. Os gostos de cunho emocional são afetados pela necessidade de harmonizar as polaridades e de valorizar a simetria e a beleza tradicional. Tem profunda necessidade de paz, tranquilidade e harmonia para se sentir à vontade e ter prazer; por isso pode evitar os intercâmbios emocionais desagradáveis e, dessa forma, limitar o alcance da intimidade. Precisa criar relacionamentos baseados na igualdade de participação e cooperação para liberar suas emoções.

Vênus em ♏ Escorpião: Exprime o afeto intensamente, apaixonadamente, obsessivamente; sentimentos radicais e monopolizantes. O impulso do prazer é matizados por desejos compulsivos, profundidade e emoções ardentes. A troca com os outros gera uma energia curativa e transformadora. As necessidades sociais e amorosas podem ser frustradas pela tendência ao segredo e pela relutância em confiar nos outros. Precisa ir fundo no relacionamento, com intensa força emocional, a fim de sentir-se ligado ao outro.

Vênus em ♐ Sagitário: Expressa o afeto livremente, entusiasticamente, generosamente e idealisticamente. O impulso inquieto de seguir em frente e ter muitas aventuras pode interferir com a formação de relacionamentos íntimos. A maneira de relacionar-se com os outros é fortemente matizada pelas crenças e metas; nos relacionamentos íntimos, sente necessidade de afinidade filosófica. Precisa sentir-se livre para andar sem destino e fazer exploração a fim de ficar à vontade e em harmonia. Tem atitudes tolerantes e abertas em relação a amor e romance; valoriza a honestidade nos relacionamentos e pode, inconscientemente, passar por cima dos sentimentos dos outros.

Vênus em ♑ Capricórnio: Expressa o afeto cautelosamente, seriamente, conscienciosamente e mecanicamente. A necessidade de prazer e amor pode ser inibida pela atitude medrosa e desconfiada, ou pela abordagem altiva e impessoal. Precisa ter certeza do compromisso do outro antes de liberar suas emoções mais profundas; é capaz de ser leal e de enfrentar o trabalho e as responsabilidades dos relacionamentos. O impulso social é matizado pela preocupação com a reputação. A necessidade de autocontrole e discrição emocional pode prejudicar o desenvolvimento de relacionamentos íntimos.

Vênus em ♒ Aquário: Expressa o afeto livremente, inconvenientemente, experimentalmente; gosta de flertar. A atitude distante e impessoal pode interferir com os relacionamentos íntimos; os outros podem achá-lo uma pessoa fria e altiva. Gosta da troca de ideias e fantasias da imaginação (muitas vezes humorísticas) com a pessoa amada. O impulso amoroso e social é matizado pela liberdade individualista, pelo extremismo e pela rebeldia. Precisa de um convívio dinâmico com grande número de pessoas para poder liberar plenamente suas emoções.

Vênus em ♓ Peixes: Expressa o afeto sensivelmente, delicadamente, compassivamente e solidariamente; é capaz de doar-se altruisticamente. Sente profunda necessidade de uma harmonia mágica e romântica; entretanto, os desejos podem ser vagos e indistintos, deixando a pessoa vulnerável. O impulso social e amoroso é matizado pelo idealismo romântico; a pessoa idealiza os seres amados e o próprio amor. O escapismo, a evasão e a confusão podem minar a capacidade de dar de si e receber dos outros; a falta de discriminação pode dificultar a formação de relacionamentos firmes. A sensação de ligação com o outro é influenciada por anseios profundos e pelo impulso de unir-se psiquicamente ao outro; a empatia deriva da capacidade de se identificar com os sentimentos alheios.

Tiziano Vecellio di Gregorio (1490-1576) ou, simplesmente, TICIANO.

Veneza, por Giovanni Antonio Canal - Canaletto (1710). Veneza também contribuiu com a explosão criativa, produzindo artistas de grande talento: Ticiano, Tintoretto e Giorgione, a trilogia veneziana em contraposição com a florentina de Leonardo, Rafael e Michelangelo.

Veneza, por Giovanni Antonio Canal – Canaletto (1710). Veneza também contribuiu com a explosão criativa, produzindo artistas de grande talento: Ticiano, Tintoretto e Giorgione, a trilogia veneziana em contraposição com a florentina de Leonardo, Rafael e Michelangelo.

A capacidade imaginativa de Ticiano chegou ao auge interpretando os mitos gregos durante os anos de 1550, instigado por seu principal patrono, Filipe II, da Espanha.

E, para o especialista Adriano Colangelo, Ticiano, Tintoretto e Giorgione deram uma riqueza e uma variedade na paleta, cuja intensidade e luminosidade raramente pode ser encontrada na história da arte, a não ser em algum impressionista, sobretudo em Gauguin. Já tivemos a oportunidade conferir a vasta paleta de Ticiano, AQUI.

Aproveitamos este aspecto, para realçar um importante confronto entre a arte florentina e aquela veneziana do 1500, pois enquanto os florentinos se constituem, pelo seu “ângulo culto e intelectual como artistas da forma (isto é, com maior caráter no desenho, na cor sóbria, na escultura e arquitetura), os venezianos, sem deixar de serem eruditos, deram mais atenção e mostraram uma maior sensibilidade para a cor”.

Sobre Ticiano, afirma-se ser um sinfonista da cor, não somente pela suntuosidade e expressão da mesma, como também pela extraordinária habilidade instrumental, realmente sinfônica de harmonizar as mais variadas tonalidades e dissonâncias cromáticas.

Isto pode ser observado e sentido claramente na obra “Amor Sagrado e Amor Profano”, que analisaremos abaixo. Nesta pintura “ele une e contrasta, com incomum habilidade, os amarelos-laranja dos corpos nus, os vermelhos candentes dos ricos drapejamentos, com os verdes obscuros e solenes das árvores de fundo, sob um céu cuja luminosidade crepuscular cria todo um precioso jogo de contrastes com o resto da obra”.

Suas pinceladas são sensuais e luxuosas pois, dono de um desenho imponente e ágil. Influenciado por Michelangelo, ele fez algumas incursões na temática religiosa e na retratística, sendo mais eficaz na segunda, onde, deliberadamente renunciou um pouco a sua riqueza cromática, para experimentar a maior austeridade do claro-escuro.

Sobre “Amor sagrado e amor profano”, trata-se de mais uma obra feita no Renascimento, movimento artístico e intelectual ocorrido na Europa que transformou profundamente as concepções de mundo e formas de pensamento. Uma das principais características desse período é a redescoberta dos textos antigos, e é em um desses textos que se encontra a chave para a interpretação da obra de Ticiano.

Em “O banquete”, diálogo sobre o amor, do filósofo grego Platão, um dos convidados, Pausânias fala da dualidade de Vênus, a “celestial e a “vulgar”, quando ele protesta: “não é um só”, objeta Pausânias que, cingindo a unidade do Amor, subdivide-o e hierarquiza-os imediatamente: Afrodite não é só uma, há a mais velha, Urânia (celestial) e a Pandêmia (pan = todos e demos = povos).

Nesta última, amam mais o corpo que a alma. Afrodite Pandêmia (a Popular, vulgar) inexoravelmente é vencida pelo tempo (Chronos/Saturno): “Com efeito, ao mesmo tempo em que cessa o viço do corpo, que era o que ele amava “alça ele o seu voo” (citando Homero), sem respeito a muitas palavras e promessas feitas. Ao contrário, o amante do caráter, que é bom, é constante por toda a vida, porque se fundiu com o que é constante”.

E é assim que Pausânias revela duas formas de Amor: Afrodite/Vênus Urânia, associada ao eterno, imortal e Afrodite/Vênus Pandêmia ao transitório, mortal. Os dois amores são necessários, embora sucumbir dando ênfase à Pandêmia desvirtue a alma e, consequentemente, a pólis.

Vamos à leitura da obra:

"Amor Sagrado e Amor Profano” (1514/15), por Ticiano Vecellio. A obra foi encomendada por Niccolò Aurélio e pertence à Galeria Borghese.

“Amor Sagrado e Amor Profano” (1514/15), por Ticiano Vecellio. A obra foi encomendada por Niccolò Aurélio e pertence à Galeria Borghese.

Em destaque, estão duas jovens, sentadas na extremidade da borda de uma fonte de mármore, esculpida em alto relevo. Uma delas está nua e descalça, já a outra, constatamos apresentar-se ricamente trajada e calçada.

Ambas representações da deusa do amor e da beleza! Se formos imediatistas, associaremos a Vênus Pandêmia (Venere vogare) à nudez e a Vênus Urânia (Venere celeste) à moça vestida. No entanto, estamos no Renascimento, momento em que houve um resgate os textos clássicos interpretados à luz do humanismo, ou seja, sem falsos pudores.

Por que a nudez não seria pura e as vestes que a encobrem, a profanação dessa pureza? Bem-vindo ao (questionador) “espírito” renascentista! O fato da mulher nua representar a Vênus Urânia demonstra a atribuição de valores positivos que se fez da nudez no Renascimento.

Nessa época, existia a crença de que a beleza sem ornamento é superior à beleza adornada, e que a forma de amor ideal, que aprecia uma beleza superior à que chamamos realidade, é mais elevada que a forma de amor terrena, que aprecia uma beleza pertencente ao mundo material. Porém, as duas Vênus são belas, cada uma à sua maneira, são nobres e dignas de serem “veneradas”.

Tiziano Urania

A Vênus Urânia (celestial, eterna e imortal) está coberta apenas com um paninho branco e um manto púrpura (cor que identifica o caráter divino) e a Vênus Pandêmia (do grego, pan= todos + demos = povo, é a vulgar, terrestre e mortal) veste com um longo vestido branco, de manga púrpura e calça luvas.

Notaram a semelhança fisionômica delas? Não é que elas se pareçam, na verdade, como dissemos, elas são a mesma pois, representam a dupla natureza dessa portentosa divindade. Não se trata aqui de uma distinção puramente moral, como se uma das concepções de Vênus fosse “maléfica” e outra “benéfica”, mas de cisão entre as formas (opostos/complementares) de se experimentar e de se manifestar o amor.

Tiziano detalhe cupido

Entre elas, vemos Cúpido (Eros), remexendo, misturando as águas da fonte, simbolizando a harmonia que as duas formas essenciais de amor, apesar das diferenças, podem alcançar.

Observemos que o Cupido está entre as duas personificações da deusa do amor e da beleza, embora um pouco mais próximo da Vênus Pandêmia. A teoria de Platão é de que Cupido (Eros) é um princípio cósmico, que atua como intermediário entre o céu e a terra, um “daimon” mediador, entre o divino e o humano.

Tiziano paisagem profanaQuanto às paisagens, podemos dividi-las também em duas partes: mais sombria, à esquerda (ao fundo da Vênus Pandêmia), onde temos algo erigido para os homens: uma cidade fortificada, para onde um cavaleiro se dirige. E também dois coelhinhos, simbolizando a fertilidade.

Tiziano detalhe campanário

A paisagem da direita (atrás da Vênus Urânia) é mais rústica e ainda mais iluminada, pois tomada pelos céus, há mais ovelhas e algo erigido para Deus: a igreja, onde destaca-se o campanário.

Refém dos valores mundanos, a Vênus Pandêmia tem em mãos um vaso repleto de ouro e pedras preciosas. Já a Vênus Urânia, porta um vaso de incenso em chamas, simbolizando o sagrado. Isso porque a Vênus Urânia personifica o princípio do amor e da beleza universal: eterno, ideal, pois inteligível, divino. Já a Vênus Pandêmia personifica a força geratriz, o amor e a beleza concretos, reais, humanos.

Tiziano sarcófagoFinalizando nossa análise, a fonte, cujo formato remete a um sarcófago antigo, aludindo, portanto, à perecividade, decrepitude e morte, o que parece reforçar o confronto entre a nossa natureza “humana” e a nossa natureza “divina”: mortal e imortal, respectivamente.

E mais ainda: alguns estudiosos apontam que os cavalos representam um terceiro tipo de união, que os medievos identificavam como sendo o “amor ferinus”, aquele amor primitivo, animalesco, de caráter impróprio ao homem (aos animais não há interdito ao incesto, por exemplo). Esse é o amor mais vil, que escraviza com as forças cegas do desejo, impedindo de desfrutar da sublimidade que reside nos amores destinados a nós, que é o físico e o… Platônico. Ideal.

Permitem-me só mais um tiquinho de Ticiano?

Tiziano Vênus de Urbino

Vênus de Urbino, por Ticiano Vecellio (1538). Galleria degli Uffizi, Florença. No “O Banquete”, recorrendo à autoridade de Hesíodo, Fedro dirá que o Amor é dos deuses mais antigos, que sequer possui genitores e que é, para nós, a causa dos maiores bens, pois sem ele, não há com se produzir grandes e belas obras. O Amor deve dirigir a vida de todos os homens que quiserem vivê-la nobremente; é também responsável por algo que nem a riqueza, nem as honras nem a estirpe pode incutir tão bem: “A vergonha do que é feio e apreço ao que é belo”.

Tiziano Detalhe Vênus de Urbino

Observem como a deusa está convidativamente serena, plena e absolutamente à vontade em sua nudez. Traz flores nas mãos, pulseira incrustada de pedras preciosas, brincos delicados e, sim, os cabelos cacheados, naquele tom “louro Ticiano” de uma querida amiga do Salotto!

Tiziano Detalhe Vênus de Urbino2A presença do dócil cãozinho aninhado aos pés de Vênus, como a indicar que o Amor é fiel. Ou deveria. Afinal, é essa a maior virtude de uma dama.

Tiziano Detalhe Vênus de Urbino3

As únicas outras figuras são uma menina que, curiosa, abre um baú (alusão à Caixa de Pandora?) e uma mulher nitidamente mais velha. Outra interpretação possível é de Ticiano quis indicar as três principais fases da mulher: criança, jovem e madura.

Isabel de Portugal (1548), por Ticiano Vecellio. Museo del Prado, Madrid. A beleza só perde para Chronos (Saturno), o deus do Tempo, que devora tudo o que cria.

Isabel de Portugal (1548), por Ticiano Vecellio. Museo del Prado, Madrid. A beleza só perde para Chronos (Saturno), o deus do Tempo, que devora tudo o que cria.

Tarquínio e Lucrezia Borgia, por Ticiano (1515). Kunsthishistorisches Museum, Vienna.

Tarquínio e Lucrezia Borgia, por Ticiano (1515). Kunsthishistorisches Museum, Vienna.

Convite aos amigos do ConsueloBlog!

Em SETEMBRO, estaremos novamente na Itália para nosso Curso de Mitologia Greco-Romana na Galleria Borghese, em Roma.

Frontispício Basílica

Frontispício da Basílica de São Pedro, em Roma: IN HONOREM PRINCIPIS APOST PAVLVS V BVRGHESIVS ROMANVS PONT MAX AN MDCXII PONT VII (Em honra do Príncipe dos Apóstolos, Paulo V Borghese Roman Pontífex Maximus 1612 sétimo ano do seu pontificado).

E, para tornar nossa experiência inesquecível ainda mais completa, acrescentamos mais conteúdo, charme, beleza e magia à NOVA PROGRAMAÇÃO, iniciando e finalizando nosso tour por duas encantadoras cidades:

NETTUNO: hospedados em intocado solo feudal, na surpreendente Villa di Bell’Aspetto, reserva ecológica de propriedade particular dos Borghese, onde proferirei a Palestra “Europa Medieval: as Bases Históricas (Política e Econômica) – do Renascimento” e,

FLORENÇA: hospedados em solo renascentista, na bucólica e aconchegante Villa Tantafera, de propriedade do fotógrafo Robbie Leone, onde será ministrado o “Minicurso sobre o Renascimento” (eu) e “A Família Médici” (Sandra Gorski).

Para mais informações, clique AQUI

Espero que tenham apreciado o posicionamento de Vênus em seus mapas, a análise das obras de Ticiano e as novidades em nossa Programação, amigos! Até o próximo Post, com o eleito de Vênus: Marte.

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Obrigada Luciene!!

Luciene com Mamisa esta semana no encontrinho!

Luciene com Mamisa esta semana no encontrinho!

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Encontrinho do Salotto em São Paulo!!

Rsssss....

Rsssss….

DSC07657O Salotto se reuniu para o encontrinho no showroom de Angela Motta que apresentava sua coleção.  Foi super!!  Vieram de Manaus, Curitiba, Salvador, Minas, Paraná… fiquei super, super emocionada!

Angela serviu chamapagne rosé e 3 pratos feitos em casa!!  Muito, muito elegante!  Tinha um cassoulet, puré de mandioquinha com molho de funghi e salada de grãos com delícias como damasco e cravo!  Demais!!  Foi papo pra lá e pra cá e tantos sorrisos!!  Obrigada Salotto por tudo que vocês me dão!!

(Para quem não sabe, Salotto está explicado AQUI.  Todo mundo pode fazer parte!!  É só escrever nos comentários!)

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Adrianne, MaVi e Ritoka

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Denise Luna, Alexandra e Ana Laura, com as nossas queridas ausentes, Andy (nossa embaixadora) e Isa!

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Sandra

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Sandra, Gaby , Angela e Mamisa, Costanza

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Alexandra, Ana Laura, Amanda e Carina

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Andreia fazendo carão!! O broche foi idéia do Cassiano!

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Sandra, Alexandra, Ana Laura e Adrianne

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Cassiano com Mamisa

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Viviane, Cassiano, minha tia, Tita e no fundo Claudia

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Luciene com Mamisa

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Ritoka, MaVi, Sandra e Denise

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Nossa anfitriã, Angela Motta!

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MaVi, Andreia e Grazi

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Claudia e a nossa mais nova mascote, a linda Laurinha!!

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Giselle

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Se não erro, Marcia?…

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A Aninha!!

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Mia, Adrianne, Rita e Marly

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Os Pensamentos Dragões por Manoel Thomaz Carneiro

Os Pensamentos Dragões

por Manoel Thomaz Carneiro

woman standing with a chalk dragon

Lembro-me da época em que a televisão parava de ter emissão por volta da meia noite. A partir desse horário tinha aquele chiado com a imagem cheia de chuvisco sobre o cinza. Parava tudo. Quando mais tarde Célia Biar começou com o gato a apresentar o último filme da noite, nos sentíamos num programa da altíssima madrugada. Hoje a TV funciona 24 horas sobre 24, de segunda a segunda. Tornou-se como nossos pensamentos.

Pensamos o tempo todo como se fossem incansáveis letreiros luminosos. Até quando dormimos o pensamento continua através do sonho, da produção poderosa do inconsciente. Somos banhados de ideias, lembranças, planos, desistências e muitas vezes como uma emissão enguiçada frases e cenas se repetem. Tudo o tempo todo estimulado pelo nosso cérebro.

Hoje temos na TV o seletor de canais, procuramos o que nos interessa mais. Eu, por exemplo, deleto de minha visão determinadas noticias e filmes…

Já para a emissão dos pensamentos o seletor de canais existe, mas para muitos fica no fundo da caixa e as pessoas não estão habilitadas a utilizá-lo.

As emissões invadem a tela mental e muitos continuam estáticos, dominados pelas cenas desagradáveis que só despertam angústia, ansiedades e raivas. Permanecem diante disto tudo como um expectador passivo, sem conseguir sair da poltrona.

É bem verdade que sair de si mesmo é impossível. As tentativas através das drogas, do sexo compulsivo, do álcool, através também das compras frenéticas, das hiperatividades são meios que podem até atordoar, mas estão longe de trazerem para cada um a capacitação de controlar determinadas emissões negativas.

Você já ficou hipnotizado diante da TV, durante programas que nem gosta de assistir?

Imagens tem esse poder. São captadoras da consciência e nos deixa em estado de transe… Se fixar em determinados pensamentos também. Quase hipnotizado pela mágoa… Pelo filme de terror emocional…

Já que os nossos pensamentos não param e têm o poder de serem estimuladores de vontades, sentimentos, emoções e sensações, é fundamental internalizar um bom diretor que tenha excelentes conteúdos para que a emissão seja o mais possível limpa de neuroses.

Podemos nos desviar de alguns canais que produzem emissões negativas. Começou um programa mental ruim, passe para outro estímulo. Muitas vezes é solucionador um bom desvio através de um cinema, uma volta, uma atividade intelectual. Levante faça um café, limpe armário e deixe de assistir certas emissões.

Se o seu seletor enguiçou de vez, procure um técnico para treinar o manuseio do seu controle remoto.

Em 23 de Abril dia de São Jorge. Ele montado no cavalo com a espada em punho para vencer o dragão.

O cavalo deste guerreiro simboliza a nossa libido, energia que através do desejo de sair de uma condição para ingressar em outra é disponibilizada. De posse dela, montamos nessa força que nos dará potência. Para que? Para que através dos nossos conhecimentos, possamos aumentar a extensão de nossos braços para vencermos o dragão que se chegar muito perto nos queima ou mesmo nos destrói.

Man Fighting Dragon

Eliminar todos os dragões da vida é uma tarefa impossível de ser realizada, mas com a espada em punho podemos mantê-los em distância segura.

São muitos dragões. Alguns em nós, outros tantos fora.

Quais são eles?

Primeiro? Os dragões naqueles que amamos. Presentes nos traços difíceis de serem eliminados, mas com o nosso lado “São Jorge” damos com firmeza limite e distância a estes aspectos. O lado dragão aprende com o tempo que ali não tem mais vez. De vez em quando testa de novo e a espada é acionada.

Outros mais? Os dragões que surgem nos sentimentos devoradores de nosso prazer que por falta de controle, deixa-se chegar até a proximidade de queimar o momento.

Temos também os dragões das ideias de impossibilidade de mudanças e dos recomeços. São estes os dragões que queimam chances…

Dia do dragão nem existe. Existe sim o dia daquele que exerce a vitória sobre ele.

Este dia se dá toda vez que você se veste de São Jorge, estimulado por Freud, por Buda, ou pela Cabala pouco importa. Quando se dá este dia?

O dia que você pegar o comando com o seletor para se colocar em sintonia com as emissões de equilíbrio, zelo e amor próprio.

Quem sabe fazer o documentário daquele que virou um herói de si mesmo? O nome da emissão?

Dia do Bom Combate.

Salve São Jorge.

Me Salve!! Salve, Salve!!!

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Manoel Thomaz Carneiro

2014-12-19 19.29.22

Administrador de Empresas, Professor, Psicanalista

Fundador em 1989 do Grupo de Estudos Pensar. No qual ministra há 25 anos no Rio de Janeiro semanalmente temas sobre as estruturas psicológicas humana.

Autor do livro “Pense Bem” que foi lançado em 2013 pela Casa da Palavra- Leya

Participante do Ciclo de Seminários Psicanalítico de Paris.

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