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A Rainha, Gabriella Pascolato

No dia 22 de agosto morreu a minha Nonna, minha avó, Dona Gabriella Pallavicini Pascolato, aos 93 anos.  A matriarca da nossa família, ela também foi figura importantíssima na indústria da moda no Brasil.  A Santaconstancia foi seu terceiro filho, após minha mãe, Costanza e meu tio Alessandro.  Sua influência corria da FENIT à cada cliente, funcionário e pessoa que encontrava e a quem deixava um pedacinho dela, como tantos me contaram nas suas mensagens.  Sinto tantas saudades, e este post é uma pequena homenagem.

Quatro gerações: Dona Gabriella, Costanza, eu e minha filha, Allegra.

Foto de Fifi Tong para o livro Origem, Retratos de Família no Brasil (Editora Auana)

O texto que segue foi escrito por minha irmã, Alessandra Blocker. É honesto, íntimo, lindo e engraçado!

Um amigo me falou que quando alguém próximo morre, dá a sensação de que as peças de nosso tabuleiro foram mexidas. Fica tudo fora do lugar.

Um dia acordei, me dei conta de que nunca mais iria visitar o 10º andar da Rua Rio de Janeiro (para mim a Rio de Janeiro só tem um prédio) e percebi que no meu tabuleiro ficou faltando a Rainha. Aquela peça que é mais alta do que as outras, vê tudo em volta, sempre sabe o que está acontecendo, se move para todos os lados e te tira de uma enrascada. Rainha da moda, Rainha da Santa e, acima de tudo, Rainha da família.

Dona Gabriella não escolheu ser Rainha, a vida lhe impingiu esse papel e ela o assumiu sem titubear. Afinal sua família precisava dela. Como toda Rainha que se preze, ela foi bonita, inteligente, elegante, trabalhadora, incansável, atenta. E também foi durona, mal humorada, ranzinza, pois as Rainhas têm de ser fortes. Muitas vezes pessoas que não a conheciam direito me disseram, “sua avó é tão fofa!” Eu me calava e dava risada, pois fofa ela não era. Desde que me conheço por gente me lembro de ouvi-la dizer: “Sonsempre eu que tenho que fazer tudo nessa fábrica, família, casa…” ou simplesmente virar os olhos ,balançar a mão e dizer “Já te expliquei que…” E ela tinha razão. Era sempre ela que fazia as coisas, resolvia problemas cuidava, a sua maneira, da família. Mas o que podíamos fazer? As Rainhas são mais rápidas, mais ágeis, mais articuladas.

Agora ela está com o Miki e eu sigo sem minhaRainha. É preciso. A vida continua e a última coisa que ela gostaria é que eu me entregasse ao marasmo. E se não era bom aborrecer Dona Gabriella em vida, imagine contrariar seu fantasma! Então reorganizo minhas peças, monto estratégias, pois partidas são ganhas mesmo sem a Rainha. E, como toda boa Rainha,ela foi generosa e sempre guiou seus súditos e dividiu o que sabia para que nós pudéssemos continuar sem ela.

“The Queen is dead, long live the Queen!”

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